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Na companhia dos livros. O blog da Quetzal Editores.
«Noutras línguas, nas latinas, por exemplo, é possível disfarçar a origem social. Ou será mais fácil do que no nosso país. Na Europa Central, onde as sociedades são mais igualitárias, somos aquilo que falamos. Parece paradoxal, mas é assim: uma pessoa instruída fala de uma maneira; outra sem estudos usará a expressão típica do povo. Nem o comunismo suavizou as regras; pelo contrário, às vezes penso que as agravou. E Csilla não se limitava a usar a linguagem popular, ela usava pronúncia quase igual à dos ciganos, impondo uma rudeza proletária em certas palavras, falhando uma ou outra conjugação verbal, simplificando a frase, por vezes com erros na construção que pareciam propositados, como se ela estivesse a fazer uma imitação. Mas não estava: aquela era a linguagem do bairro dela.»
Territórios de Caça, de Luís Naves, mais um excerto.
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