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Na companhia dos livros. O blog da Quetzal Editores.
«A rua Gogol deve ser das mais agradáveis da nossa cidade: tem fileiras de faias pujantes, muitas delas plantadas no início do século. O bairro, fisicamente, não sofreu durante a guerra. Durante o regime comunista, as melhores casas foram nacionalizadas, para alojar trabalhadores. No fim do regime, foram vendidas, a bons preços. Os prédios estão preservados e só alguns se encontram em mau estado sem obras há décadas.
Enfim, nesta parte da cidade não houve bombardeamentos de guerra, mas aidna se podem ver as cicatrizes do século. Aqui fica o gueto judeu, com a sinagoga e ruas elegantes, com jardins tranquilos. E o que ainda hoje se observa é ausência de antigos habitantes.
Jamais pensamos nas pessoas que faltam, mas para se compreender a nossa cidade, é preciso pensar nas ausências, nos hiatos, no que devia estar ali, mas não está. Famílias inteiras, gente que vibrava e pensava, cheia de vida e de paixão, de sonhos como os nossos... »
A rua Gogol existe e a cidade húngara desta história é factual, embora não saibamos o seu nome. 20 anos depois da queda do Muro de Berlim, Territórios de Caça, de Luís Naves, é hoje apresentado por João Villalobos, na Bertrand do Chiado, às 18h30. No fim, o quarteto de Vasco Barbora interpreta «Nocturno» de Borodin. E haverá qualquer coisa para comer e beber.
Tomás Vasques sobre a rua Gogol, para ler aqui.
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