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Quetzal

Na companhia dos livros.

Martin Amis: «Está a acontecer quase um contra-Iluminismo.»

Para o «Observador», Rogério Casanova entrevistou o escritor britânico, que fala de Trump e Clinton, das memórias do amigo Christopher Hitchens e do Holocausto que se lê em «A Seta do Tempo», que agora a Quetzal publicou em Portugal.

Martin Amis tem sessenta e sete anos. Uma frase que não parece mais plausível agora, que tem realmente sessenta e sete anos, do que teria parecido aos vinte e quatro, idade com que publicou o primeiro livro, ou aos quarenta e dois, idade com que escreveu A Seta do Tempo – disponível agora, e pela primeira vez, em tradução portuguesa. De uma forma muito peculiar, tal como o protagonista de Matadouro Cinco (livro de Kurt Vonnegut que terá sido uma das inspirações directas de A Seta do Tempo), a entidade chamada “Martin Amis” parece ter-se desprendido do tempo.

Uma das razões para o efeito é a consistência da sua voz pública – a voz dos livros, dos ensaios, e das entrevistas – que se tem mantido inalterada ao longo dos anos, mesmo que por vezes produza resultados desiguais. Outra é a singularidade hereditária que representa: filho de outro vulto literário britânico, Kingsley Amis, a sua obra foi sendo vista como um ilegítimo prolongamento dinástico da obra do pai, o que ajuda a explicar (esta é, pelo menos, a sua teoria sobre o assunto) a hostilidade com que costuma ser tratado pela imprensa britânica, que o terá despromovido a uma espécie de “Príncipe Carlos do mundo das Letras”, e onde qualquer coisa serve de pretexto para reutilizar os adjectivos que, como macros no Excel, mais o qualificaram ao longo da carreira: “polémico” e “controverso”.

 

Amis falou com o Observador por telefone a partir de Nova Iorque, onde vive desde 2011, numa conversa relativamente desprovida de declarações polémicas, onde abordou, não necessariamente por esta ordem, os macaquinhos no sótão de Christopher Hitchens, Hitler e o Holocausto, o potencial cómico de desordens cronológicas, o apelo da ficção científica, a maneira específica como os poetas olham para citrinos, e o estranho hiato alaranjado que foi o ano de 2016.

 

Leia aqui a entrevista completa.