Quetzal
Ave trepadora da América Central, que morre quando privada de liberdade; raiz e origem de Quetzalcoatl (serpente emplumada com penas de quetzal), divindade dos Toltecas, cuja alma, segundo reza a lenda, teria subido ao céu sob a forma de Estrela da Manhã.
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Terça-feira, 1 de Setembro de 2009
Narcoliteratura no Sol

 

«Balas de Prata retrata uma certa face épica mexicana que agora não é mais do que uma narrativa crivada de balas onde "os assassinos são os únicos que não possuem aptidão para a tristeza"» Filipa Melo sobreBalas de Prata, de Élmer Mendoza, no Sol.



publicado por Quetzal às 17:59
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Yates na rentrée

ilustração de Tiago Albuquerque

 

 

Um dos acontecimentos da reentrée destacados na edição ontem do í é a publicação de Jovens Corações em Lágrimas. Vamos lançar mais livros, é certo, mas Richard Yates é Richard Yates.



publicado por Quetzal às 15:02
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Segunda-feira, 31 de Agosto de 2009
Chegar tarde a uma guerra não é pior do que outras desilusões

 

 

«Esta citação sugere não apenas o tom deste livro como algumas das razões pelas quais o seu autor não é um nome instantaneamente familar - e porque devia ser. Frustração inescapável, ocasionais brutalidades e a eterna sombra da falta de dinheiro constituem a realidade de milhões de pessoas numa sociedade competitiva, mas não serão o material ficcional mais atractivo para quem nela vive.»

 

Luís M. Faria leu Perto da Felicidade - Cold Spring Harbor, de Richard Yates, e escreveu sobre o livro na edição de 23 de Agosto, no Actual do Expresso.

 



publicado por Quetzal às 10:25
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Domingo, 23 de Agosto de 2009
O mesmo poema

Na língua original:

 



publicado por Quetzal às 09:59
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Parem já os relógios, corte-se o telefone

Parem já os relógios, corte-se o telefone,

dê-se um bom osso ao cão para que ele não rosne,

emudeçam pianos, com rufos abafados

transportem o caixão, venham os enlutados.


Descrevam aviões em círculos no céu

a garatuja de um lamento: Ele Morreu.

No alvo colo das pombas ponham crepe de viúvas,

polícias-sinaleiros tinjam de preto as luvas.


Era-me Norte e Sul, Leste e Oeste, o emprego

dos dias da semana, Domingo de sossego,

meio-dia, meia-noite, era-me voz, canção;

julguei o amor pra sempre: mas não tinha razão.


Não quero agora estrelas: vão todos lá pra fora;

enevoe-se a lua e vá-se o sol agora;

esvaziem-se os mares e varra-se a floresta.

Nada mais vale a pena agora do que resta.

 

 

Um poema de W. H. Auden escolhido por Vasco Graça Moura para o livro 366 Poemas que Falam de Amor.

 


 

 

 



publicado por Quetzal às 09:52
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Sábado, 22 de Agosto de 2009
Título por haver

No meu poema ficaste

de pernas para
o ar

(mas também eu

já estive tantas vezes)


Por entre versos vejo-te as mãos

no chão

do meu poema

e os pés tocando o título

(a haver quando eu

quiser)

 

Enquanto o meu desejo assim serás:

incómodo estatuto:

preciso de escrever-te

do avesso

para te amar em excesso
 

 

Um poema de Ana Luísa Amaral escolhido por Vasco Graça Moura para o livro 366 Poemas que Falam de Amor.

 


 

 

 



publicado por Quetzal às 09:50
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Sexta-feira, 21 de Agosto de 2009
Amor é o olhar total, que nunca pode

Amor é o olhar total, que nunca pode

ser cantado nos poemas ou na música,

porque é tão-só próprio e bastante,

em si mesmo absoluto táctil,

que me cega, como a chuva cai

na minha cara, de faces nuas,

oferecidas sempre apenas à água.

Um poema de Fiama Hasse Pais Brandão escolhido por Vasco Graça Moura para o livro 366 Poemas que Falam de Amor.

 


 

 

 



publicado por Quetzal às 12:49
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Quinta-feira, 20 de Agosto de 2009
Ao jurar-me ela seu fiel amor

Ao jurar-me ela seu fiel amor,

palavra que acredito e sei que mente;

deve pensar-me um jovem sem tutor,

nos enganos do mundo inexperiente.

Assim, pensando em vão que me crê jovem,

saiba embora já fui melhor do que hoje,

as suas falas falsas me comovem

e a verdade de parte a parte foge.

Mas porque não dirá ser ela injusta?

Porque não digo minha idade avança?

No amor, idade e anos dizer custa

e é costume de amor fingir confiança.


       Deitamo-nos, mentimos, mente, minto.

       Mentir em culpa é-nos lisonja, sinto.

Um poema de William Shakespeare escolhido por Vasco Graça Moura para o livro 366 Poemas que Falam de Amor.

 


 

 

 



publicado por Quetzal às 09:48
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Quarta-feira, 19 de Agosto de 2009
De amor

despede-te de mim, bate devagar à porta:

tenho vontade de recomeçar, reerguer escombros,

ruínas, tarefas de pão e linho, não dar

nome às coisas senão o de um vago esquecimento,


abandono. despede-te de mim como se a vida

recomeçasse agora, não me procures onde

a memória arde e o destino se ausenta.


tudo são banalidades, afinal, quando assim

se recomeça e a vida falha como um material

solar e ilhéu. levamos poucas coisas, basta

um pouco de ar, os objectos fixos, em repouso,


os muros brancos de uma casa, o espaço

de uma mão. arrumo as malas e os sinais,

aquilo que nos adormece em plena tempestade.
 

Um poema de Francisco José Viegas escolhido por Vasco Graça Moura para o livro 366 Poemas que Falam de Amor.

 


 

 

 



publicado por Quetzal às 09:43
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Terça-feira, 18 de Agosto de 2009
Este viver comum

Este viver comum

será nosso futuro

É nosso já presente

este amor que não temos


É nosso e nosso o tempo

que de tão longe somos

O pomo puro que negam

branco se fez no dia

Um poema de António Ramos Rosa escolhido por Vasco Graça Moura para o livro 366 Poemas que Falam de Amor.

 


 

 

 



publicado por Quetzal às 09:17
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Segunda-feira, 17 de Agosto de 2009
Como posso amar-te, se nem sei

Como posso eu amar-te, se nem sei

como à porta te chamam os vizinhos,

nem visitei a rua onde nasceste,

nem a tua memória confessei.

Que vaga rima me permite agora

desenhar-te de rosto e corpo inteiro

se só na tua pele é verdadeiro

o lume que na língua se demora...

Não deixes que te enganem os recados

na infernal gazeta publicados

que te dão já por escultura minha;

nocturno frankenstein, em vão soprei

trompas de criação, e foste tu

quem me criou a mim quando quiseste.

 

Um poema de António Franco Alexandre escolhido por Vasco Graça Moura para o livro 366 Poemas que Falam de Amor.

 


 

 

 



publicado por Quetzal às 09:37
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Domingo, 16 de Agosto de 2009
Ardis


A incompreendida figura do amor

a céu descoberto sem que se exprima

rodeamo-nos de vinganças, medidas, ardis

e enchemos os livros da ardente ausência

de nós próprios

 

Ao entardecer corremos

ao pontão sobre o mar

e a vida só se parece

com alguma coisa que sabemos
 

Um poema de José Tolentino de Mendonça escolhido por Vasco Graça Moura para o livro 366 Poemas que Falam de Amor.

 


 

 

 



publicado por Quetzal às 12:36
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Sábado, 15 de Agosto de 2009
Café do molhe

Perguntavas-me

(ou talvez não tenhas sido

tu, mas só a ti

naquele tempo eu ouvia)

porquê a poesia,

e não outra coisa qualquer:

a filosofia, o futebol, alguma mulher?

Eu não sabia

que a resposta estava

numa certa estrofe de

um certo poema de

Frei Luis de Léon que Poe

(acho que era Poe)

conhecia de cor,

em castelhano e tudo.

Porém se o soubesse
de pouco me teria

então servido, ou de nada.

Porque estavas inclinada

de um modo tão perfeito

sobre a mesa

e o meu coração batia

tão infundadamente no teu peito

sob a tua blusa acesa


que tudo o que soubesse não o saberia.

Hoje sei: escrevo

contra aquilo de que me lembro,

essa tarde parada, por exemplo.

 

Um poema de Manuel António Pina escolhido por Vasco Graça Moura para o livro 366 Poemas que Falam de Amor.

 


 

 

 



publicado por Quetzal às 12:30
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Sexta-feira, 14 de Agosto de 2009
Um desenho do irmão lúcia

 

com o logo da Quetzal.



publicado por Quetzal às 11:40
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Na pele

O mar, venho ver-lhe a pele a rebentar

ao longo das falésias, o que sempre

me traz a exaltação desses rapazes que circulam

por Lisboa no verão.

O mar está-lhes na pele. Partilho

com eles os quartos das pensões, sentindo as ondas

a avançar entre os lençóis. Perco-me à vista

da pedra onde o mar vem largar a pele.

 

Um poema de Luís Miguel Nava escolhido por Vasco Graça Moura para o livro 366 Poemas que Falam de Amor.

 


 

 

 



publicado por Quetzal às 08:27
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