Segunda-feira, 16 de Abril de 2012
"O som do tempo a passar"

"O mais espantoso nesta ficção, algures entre o romance de estrutura heterodoxa e a coletânea de contos que funcionam como unidades autónomas, é que Egan nunca perde o sentido do tema que atravessa todas as suas histórias dispersas: o tempo enquanto agente de mudança que tanto pode maltratar-nos (é ele o "brutamontes" do título) como redimir-nos, às vezes inesperadamente. O livro termina numa Nova Iorque futura, na década de 2020, com um concerto junto ao "Ground Zero" reconstruído. A música que fica a pairar, porém, não é a da slide guitar de Scotty, a improvável estrela "inventada" por Bennie, mas antes o "zumbido" da cidade, mistura de taipais a serem corridos, cães a ladrar "roucamente" e camiões a passar sobre as pontes, que é o "som do tempo a passar."

 

José Mário Silva, Atual, dá cinco estrelas ao livro de Jennifer Egan, A Visita do Brutamontes. Na mesma edição do suplemento do Expresso pode ler-se a entrevista com a autora norte-americana.

 



publicado por Quetzal às 09:20
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