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Quetzal

Na companhia dos livros.

O lugar da crítica

Uma breve e inteligente reflexão sobre a relação dos escritores com a crítica, no blog Contra Mundum:

 

"parece apresentar-se como inquestionável o preconceito de que um autor nunca deve (ou seja, não pode, sob pena do ridículo) responder ao crítico. ao contrário, tal preconceito não é inquestionável e decorre de alguns pressupostos amplamente erróneos.
do lado do autor, implica ou a ideia de que este deve estar acima da crítica, ignorando-a com a sobranceria devida à sua condição de eleito, ou, no pólo oposto, que deve acolher a crítica com o respeito devido à intangibilidade de um oráculo. nenhuma destas posturas é sustentável.
do lado da crítica, parece supor a infalibilidade da análise e do juízo, mesmo quando o domínio do objecto em análise se revela (como por vezes acontece) distorcido ou superficial.
o absurdo destes preconceitos é que, dada a inexistência efectiva de hábitos ou de espaços de contra-crítica, estamos diante de um diálogo onde a possibilidade de resposta é por princípio coarctada, e o espaço de debate se resume à publicação de monólogos formulados a partir de posições de poder ancoradas num muito restrito conjunto de palcos institucionais. a crítica transforma-se, assim, numa paradoxal figura de autoridade que a si mesma se nega a possibilidade de ser objecto de crítica."
 

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