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Quetzal

Na companhia dos livros.

“Ao longo da vida nunca engoli um garfo”

«Ainda mal chegava à bancada da cozinha, mas isso não o impediu de cozinhar o seu primeiro prato, sob o olhar atento da avó Palmira: arroz de tomate com chouriço. Tinha quatro anos. Francisco José Viegas foi o primeiro homem da família a frequentar aquela divisão da casa onde, por tradição, os elementos do sexo masculino só se aproximavam para perguntar o que ia ser a comida e a que horas seria servida. Desde então, trabalhou num restaurante para pagar a faculdade, escreveu sobre comida em publicações como a Visão, a Grande Reportagem ou a revista NS, deu, e ainda dá, inúmeros jantares em casa para os amigos e assistiu à enorme transformação do ato de comer — “Hoje há uma obsessão com a comida“, admite. Mas não é por isso que sabemos comer e cozinhar melhor. A pensar nisso, o ex-secretário de Estado da Cultura reúne no livro A Dieta Ideal 71 receitas da chamada “comida confortável”, que nos remetem para a comida tradicional portuguesa, que gostamos de fazer em casa e que satisfazem o apetite.»

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Uma entrevista de Sara Otto Coelho, com fotografias de Hugo Amaral, no Observador.

Teju Cole: o regresso às origens

«Teju Cole volta à cidade onde passou a sua infância e de onde vieram os seus pais. Depois de muitos anos de ausência, o escritor percebe que é uma pessoa diferente daquela que saiu de Lagos. A miscigenação entre cultura africana, norte-americana e europeia formou um homem cosmopolita e pleno de contradições. Os seus pais nasceram na Nigéria, mas Cole nasceu nos EUA. Viajou de imediato para a Nigéria, onde esteve até aos 17 anos. E foi com essa idade que voltou ao país natal para estudar. Depois de desistir do curso de medicina, Teju Cole foi para Inglaterra com o objectivo de estudar História de Arte Africana na “School of Oriental and African Studies”. Voltou aos EUA para se doutorar em História de Arte, na Universidade de Colômbia. Depois de muitos anos sem ir à Nigéria, ele volta para recuperar tanto quanto possível o seu passado. E então percebe que é um homem “desenraizado”:»

 

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Mário Rufino sobre Todos os Dias São Bons Para Roubar, no Diário Digital

Andréa Zamorano vence prémio Livro do Ano da revista Time Out com o seu romance de estreia, A Casa das Rosas

O romance A Casa das Rosas, de Andréa Zamorano, foi distinguido com o prémio Livro do Ano da revista Time Out. A cerimónia de entrega dos prémios, na sua 4ª edição, decorreu ontem no Estúdio Time Out, no Mercado da Ribeira, em Lisboa. Teresa Veiga, com Gente Melancolicamente Louca, e Mário Cláudio, com Astronomia, eram os outros nomeados nesta categoria.

 

O romance de estreia da autora conta a história extraordinária de Eulália, uma jovem da classe média de São Paulo. Os inusitados acontecimentos que marcam a sua vida nesse período épico da vida brasileira, entre 1983 e 1984 (a campanha pelas eleições diretas, marco no combate pela democracia), transportam o leitor para um mundo onde realidade e fantasia coexistem e se entrelaçam.

 

Aquando da publicação do livro, a crítica destacou «a força da narrativa e o investimento estilístico» (Time Out), classificando-o como um «livro de memórias mas também de futuro» (Jornal de Negócios).

 

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A transparência da escrita de José Luís Peixoto

«A transparência sempre foi uma das maiores qualidades da escrita de José Luís Peixoto. Nos seus livros, e este não é exceção, disseca-se a vida, em tons escuros, doridos, dilacerantes, seja o tema o desespero, a solidão, o amor, a religião ou uma mãe que atravessa «a vida e a morte como a verdade atravessa o tempo, como os nomes atravessam aquilo que nomeiam».

Livro que se lê num trago, num suspiro, “Em teu ventre” é um olhar sobre o que está além da própria racionalidade, da memória, da paixão, do aceitar de um papel, do destino de se entregar aos trabalhos de parto e dar a vida por quem vem de dentro, do ventre.»

 

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Carlos Eugénio Augusto no Rua de Baixo.

O manual de zoologia de Borges

«Entre as muitas criaturas que estas páginas albergam, uma há que se reveste de particular interesse para os lisboetas – é o “cavalo de mar”, a que Plínio atribui a seguinte origem: «nas proximidades de Olisipo e das margens do Tejo, as éguas viram-se para o vento ocidental e ficam fecundadas por ele; os potros gerados assim são de uma admirável ligeireza, mas morrem antes dos três anos.» Já houve pais que escutaram das filhas adolescentes explicações mais esfarrapadas para gravidezes inesperadas.»

 

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José Carlos Fernandes, Time Out

O intimismo de Teju Cole

«Cole é uma das vozes a seguir entre os novos e consagrados autores afro-americanos. Aliás, uma adenda: é um autor a seguir, independentemente da questão étnica. Aviva-nos na memória a obra de Taiye Selasi, embora o acessório que preenche uma parte considerável de “A beleza das coisas frágeis” (também parte da série serpente emplumada da Quetzal) não caracterize, de todo, o estilo de Cole. Este, por sua vez, tem um cunho mais intimista e alheio a enredos. Em termos de estilo, o seu minimalismo só não chega a ser cru por cruzar, com a frieza informativa – eficaz – de uma reportagem, uma linguagem literária recheada de símbolos. Daí que “Todos os dias são bons para roubar” seja precioso quando o autor alia ao discurso opinativo de cronista uma prosa rica em subtexto. São episódios aparentemente desconexos, personagens que entram e não repetem a aparição, que servem apenas o conceptualismo. Não nos suscita vontade de verificar factos e locais descritos na obra, de modo a apurar a verosimilhança da mesma. O ultra-realismo é tal que é fácil confiar no narrador, ou melhor, em Teju Cole. Seria fácil acreditar nele mesmo que nos mentisse.»

 

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Recensão de Nelson Ferreira no Deus Me Livro.