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Quetzal

Na companhia dos livros.

A Viagem Literária chega a Castelo Branco com dois passageiros de luxo

«No próximo dia 1 de agosto, pelas 21:30, o Cine-Teatro Avenida é o palco para mais uma etapa da Viagem Literária .

Depois de Bragança, Vila Real, Viseu e Guarda, a Viagem Literária segue para a quinta etapa e desce até à Beira Baixa. A paragem em Castelo Branco está marcada para dia 1 de agosto, às 21:30, no Cine-Teatro Avenida e promete, à semelhança das conversas anteriores, encher a casa à boleia de dois grandes autores internacionais: o angolano José Eduardo Agualusa e a escritora espanhola Rosa Montero

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Os camaleões de José Eduardo Agualusa

«Neste livro de contos, José Eduardo Agualusa compilou textos destinados a diversas antologias e revistas. Porção significativa do que nele se apresenta integrou a edição especial d’”Os Maias”, de Eça de Queirós, um exclusivo comemorativo publicado pelo Expresso. Mas não se trata de simples recolha aleatória. O autor reescreveu os originais para esta edição da Quetzal, e tal decisão facilita a sugestão de irmandade, que não exatamente de unidade. Conceitos simples transportam-se a propostas quase filosóficas, sem desejarem sê-lo, que decorrem da leitura e são testemunho de observações tiradas do dia a dia, entretanto plasmadas em palavras de bom senso, mesmo quando surreais ou hiperbólicas.»

 

António Loja Neves, Expresso

 

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As imagens e o seu contexto

«O livro de Sontag não caminha no sentido de enunciar normas que, de uma vez por todas, nos garantam uma “boa” gestão da pluralidade de significações em que uma imagem pode estar envolvida – até porque há nela a consciência muito aguda de que vivemos sobre o efeito quotidiano, não poucas vezes pesadamente “moralizante”, do fluxo televisivo. Se há lição simples, mas essencial, que podemos condensar a partir das suas palavras é a da absoluta necessidade de pensar o contexto em que as imagens são conhecidas (ela evoca mesmo o modo como, no início das recentes guerras dos Balcãs, a “mesma fotografia de crianças mortas” serviu de propaganda a diferentes fações).»

 

João Lopes, Diário de Notícias

 

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Um excelente policial nórdico

«Autêntico exemplo do que de melhor se faz em termos da dita literatura policial (nórdica), “Alguém para Tomar Conta de Mim”, eleito por alguns órgãos de referencia como o “Policial do Ano” e cujos direitos foram entretanto já reservados para uma futura adaptação hollywoodesca por parte do veterano produtor sueco Sigurjon Sighvatsson, apresenta os ingredientes certos de intensidade, emoção e assertividade que tornam este livro num dos mais interessantes dentro do género e que lhe vale, dizemos nós, a comparação com clássicos como “Voando Sobre um Ninho de Cucos” de Ken Kesey, muito por culpa por uma pertinente reflexão sobre as perturbações mentais e as consequentes questões sociais das mesmas.»

 

Carlos Augusto, Rua de Baixo

 

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Ainda nos incomoda o sofrimento dos outros

Artigo de Joana Emídio Marques, no Observador, sobre Olhando o Sofrimento dos Outros, de Susan Sontag.

 

«É sobre esta atual (in)capacidade de olhar o sofrimento dos outros que a ensaísta norte-americana Susan Sontag (1933-2004) se debruça, naquele que foi o seu último livro, e que é agora reeditado pela Quetzal. Publicado originalmente em 2004, antes da morte da autora, Regarding the Pain of Others (Olhando o Sofrimento dos Outros, na tradução portuguesa) fecha um conjunto de obras dedicadas ao pensamento sobre as imagens e ao seu papel na cultura, na política, na existência individual. O seu ensaio Sobre a Fotografia, escrito em 1977, e também editado na Quetzal, é já um clássico sobre este tema.»

 

Goya-Guerra_(12).jpgLos desastres de la guerra, Francisco de Goya

 

A Quetzal no Plano Nacional de Leitura

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Estes são os livros publicados pela Quetzal que constam da lista atualizada do Plano Nacional de Leitura. Parabéns aos nossos autores! Boas leituras!

 

Na Patagónia, Bruce Chatwin

O Sítio das Coisas Selvagens, Dave Eggers

A Mãe Que Chovia, José Luís Peixoto

A Vida no Céu, José Eduardo Agualusa

A Rainha Ginga, José Eduardo Agualusa

O Papagaio de Flaubert, Julian Barnes

O Livro de Areia, Jorge Luis Borges

As Ilhas Desconhecidas, Raul Brandão

A Pedra Ainda Espera Dar Flor, Raul Brandão

Aparição, Vergílio Ferreira

Até ao Fim, Vergílio Ferreira

Carta ao Futuro, Vergílio Ferreira

Manhã Submersa, Vergílio Ferreira

O Que Diz Molero, Dinis Machado

Danúbio, Claudio Magris

366 Poemas que Falam de Amor, Vasco Graça Moura (org.)

Poesia Reunida, Maria do Rosário Pedreira

Livro, José Luís Peixoto

Morreste-me, José Luís Peixoto

À Espera no Centeio, J. D. Salinger

Austerlitz, W. G. Sebald

Os Emigrantes, W. G. Sebald

Os Anéis de Saturno, W. G. Sebald

O Velho Expresso da Patagónia, Paul Theroux

Herzog, Saul Bellow

2666, Roberto Bolaño

La Coca, J. Rentes de Carvalho

Ernestina, J. Rentes de Carvalho

O vice-rei de Ajudá, Bruce Chatwin

Breviário das Más Inclinações, José Riço Direitinho

Mas É Bonito, Geoff Dyer

Zeitoun, Dave Eggers

Em Nome da Terra, Vergílio Ferreira

Para Sempre, Vergílio Ferreira

você está aqui, João Luís Barreto Guimarães

Poesia Reunida, João Luís Barreto Guimarães

O Sonho do Celta, Mario Vargas Llosa

Leão, o Africano, Amin Maalouf

Poesia Reunida, Vols. 1 e 2, Vasco Graça Moura

A Curva do Rio, V. S. Naipaul

As Praias de Portugal, Ramalho Ortigão

Dentro do Segredo, José Luís Peixoto

Abraço, José Luís Peixoto

Galveias, José Luís Peixoto

Nove Histórias, J. D. Salinger

A arte de contar histórias

José Mário Silva, na revista Atual, do Expresso, sobre Esta Distante Proximidade, de Rebecca Solnit. Cinco Estrelas para este livro fantástico.

 

«Para falar de si mesma ou da sua mãe, no processo gradual de afundamento no nevoeiro da doença de Alzheimer, Solnit cria camadas sobrepostas de histórias. As suas próprias histórias, episódios da sua vida que vão sendo desvendados com uma espécie de pudor que nunca esconde as suas pulsões essenciais, e histórias daqueles que lhe são ou foram próximos. São fragmentos oblíquos que estão ao serviço de narrativas maiores, tentativas de compreensão do mundo que se cruzam com dezenas de outras histórias. Estas multiplicam-se, propagam-se, convergem, desmultiplicam-se como bonecas russas ou bifurcam-se como rios de vasto delta.»

 

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Choque e pavor

«Em Olhando o Sofrimento dos Outros, o seu último livro, (que surge agora numa reedição portuguesa com algumas alterações), Susan Sontag virou-se decididamente para a análise da forma como todos nós, seres humanos, observamos e reagimos à representação da dor nos nossos semelhantes. As imagens de guerra, de massacres, de torturas que nos entram pela casa dentro, tanto em suporte fotográfico ou, cada vez mais, pela televisão, serão passíveis de desencadear um tão grande choque e repúdio que se torna impossível repetir tais horrores? A própria Sontag reconhece a ingenuidade desse desejo — “Quem acredita hoje que a guerra pode ser abolida? Ninguém, nem mesmo os pacifistas” (p. 13) —, uma vez que, nesta sociedade do espectáculo, estamos todos tão profundamente anestesiados (ou enfadados) que as cenas dramáticas, de tantas vezes reproduzidas, acabam por ser descartadas como “banais”. Sontag confirma que as imagens de guerra estão sujeitas tanto à interpretação como à manipulação e que, por isso, a noção de que esse imaginário poderá ter um efeito dissuasor é ilusório. Apesar de todo o horror que perpassa perante os nossos olhos, a violência é perene e nada se pode fazer contra essa evidência. (Sontag morreu antes de assistir às decapitações em directo, devidamente ensaiadas, levadas a cabo pelo ISIS mas refere o caso do jornalista Daniel Pearl, cuja execução no Paquistão, em Fevereiro de 2001, desencadeou (mais) um fenómeno mediático.)»

 

Helena Vasconcelos, Ípsilon

 

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Uma consciência aguda do mal

A recensão de Pedro Mexia, no Expresso, ao romance Reprodução, do escritor brasileiro Bernardo Carvalho.

 

«O romance baseia-se numa sequência de interrogatórios policiais, dos quais só ouvimos as respostas dos suspeitos, e que por isso parecem monólogos exasperados e paranóicos. As declarações, hesitações e interjeições permitem-nos depreender o que está a ser perguntado ou sugerido, mas não eliminam os hiatos, as ambiguidades, as versões diferentes e as pistas enganadoras. Bernardo Carvalho demonstra uma consciência aguda do mal no mundo contemporâneo, mesmo quando é um mal trivializado. Tal como em romances anteriores, as questões ligadas à viagem, à globalização e ao etnocentrismo são determinantes, bem como a violência, nas suas diversas manifestações.»

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O romance mais conseguido de Martin Amis

«A Zona de Interesse é talvez o romance mais comprometido de Amis, e seguramente o mais conseguido, o que não deixa de ser relevante se pensarmos que O Segundo Avião (2008), não sendo uma narrativa de circunstância, reporta ao 11 de Setembro, tema familiar à maioria dos leitores. Tal como há sete anos, também agora nenhuma linha se afasta da realidade, ilustrada por factos documentados. Dir-se-ia que a quota ficcional é um pretexto para contar o indizível. A diferença é que o livro sobre o ataque às Torres Gémeas é uma obra de não-ficção (ainda que inclua um perfil ficcionado de Muhammad Atta), enquanto A Zona de Interesse é um romance clássico no mais amplo sentido do termo. Pode-se dizer que Amis dribla os que até aqui o acusavam de vénia ao ar do tempo. Desta feita, o passado regressa sob a forma de um murro no estômago. Cinco estrelas

 

Eduardo Pitta, Da Literatura

 

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A voz de ninguém

Entrevista de Ana Cássia Rebelo ao Diário Digital:


Estou a entrevistar uma escritora ou uma blogger?
Tenho dificuldade em responder a essa pergunta. O que faço é escrever num blogue. Por enquanto, é o sítio onde me sinto confortável a escrever. Tenho sempre a tentação de publicar no blogue todos os textos que escrevo e a pretensão de que estes tenham um cunho literário. É consciente e assumido. A linguagem dos blogues é efémera, mesmo que depois se façam colectâneas de textos. Eu quero que os meus textos permaneçam. Continuo a ter muito desconforto a identificar-me como escritora. A literatura é importante na minha vida. Tenho um amor profundo a alguns escritores. Sinto-me ainda muito de fora, sobretudo leitora.


No livro e no blogue tiveste a pretensão de reavaliar o papel da mulher na maternidade e no sexo?
Não. Eu não quero ser voz de ninguém. Escrevo sobre mim e nisso sou narcísica. Os textos do blogue são confessionais. Nunca tive a pretensão de estar ali a reflectir o papel da mulher na sociedade portuguesa. No entanto, a verdade é que os ecos que tenho tido de quem se aproxima de mim são de quem passou pelo mesmo. Acontece muito as pessoas dizerem: “ leio os teus textos e parece que são sobre mim.” Há essa identificação, mas não fiz nada conscientemente para que isso acontecesse.

 

ACR.jpgFotografia: Vítor Quelhas

 Ler a entrevista completa aqui.

O sofrimento dos outros

«As palavras explicam mais do que mil imagens de um conflito, ou pelo menos tentam pensá-lo com a relativa distância, na certeza, porém, de que um simples clique vencerá sempre a melhor frase armada. «Quando há fotografias, uma guerra torna-se real», recorda-nos Susan Sontag, percorrendo esse território povoado por quem assiste à barbárie. Frisemos: «não há guerra sem fotografia», como observou o esteta bélico Ernst Jünger em 1930, insistindo na analogia entre a câmara e a arma, e aos disparos para que uma e outra estão vocacionadas.

Oito anos mais tarde, Virginia Woolf publicava Os Três Guinéus, reflexões incómodas sobre as origens da guerra. É por aí que começa Olhando o Sofrimento dos Outros, ou Regarding the Pain of Others, com o qual Susan Sontag retoma o tema da fotografia, depois de um ensaio dedicado ao mesmo assunto, datado de 1977. À semelhança desse volume, as 125 páginas daquele que foi o seu último livro, editado em 2003, um ano antes da sua morte, lançado agora em versão portuguesa, apresentam-se livres de imagens. Afinal, é tempo de analisar a saturação.»

 

Maria Ramos Silva, Sol

 

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