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Quetzal

Na companhia dos livros.

Um escritor diferente

«David Foster Wallace foi um escritor diferente, um acutilante pensador que extrapolava fronteiras morais e filosóficas com um encanto próprio e uma extrema capacidade de encontrar sentido (ou sentidos) onde, por vezes, a emoção ou a lógica se revelava ausente – ou tomada pelo poderoso fantasma do aborrecimento.

Estudante de Filosofia e Inglês, Foster Wallace – paralelamente a toda a sua vida – nunca escondeu a sua paixão pelo ténis, modalidade que lhe conferia uma espécie de equilíbrio para a existência, bem como para a sua expressividade literária.»

Carlos Augusto, Deus Me Livro

 

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Condição feminina, condição humana

«Originalmente publicado em 1949, O Segundo Sexo ocupa um lugar canónico nos estudos do género e, naturalmente, no feminismo. O seu principal instrumento teórico é a noção de Outro. […] Na secção final deste primeiro volume, Simone de Beauvoir descreve a mulher “como os homens a sonham”, assim penetrando a fundo nos mitos. […] É difícil não ver a novela Mal-Entendido em Moscovo como um caso prático de O Segundo Sexo

Hugo Pinto Santos, Time Out

 

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Beleza devastadora

«Ler hoje “Alegria Breve”, o romance de 1965 de Vergílio Ferreira, é relembrar a triste história de Portugal: o contínuo silenciar do interior, o despovoamento, o vazio, o silêncio. Nada é diferente em 2015 do que sucedeu em 1965 ou no século XIX ou no século XVI. Portugal foi à procura do mundo, porque nunca acreditou no seu interior, onde a pobreza e o isolamento fez com que todos procurassem o mar ou as terras para lá da raia. Nesse aspecto, “Alegria Breve” é de uma beleza devastadora.»

Fernando Sobral, Jornal de Negócios

 

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O inferno pessoal de Foster Wallace

«O Rei Pálido será sempre inacabado e incapaz de responder até onde poderia ir Foster Wallace se não tivesse morrido aos 46 anos. Mas quem o lê reconhece nele todos os traços dessa tarefa que foi a sua: viver à margem sem ser por escolha e fazer dessa incapacidade de ser feliz uma obra sobre os intrigantes limites de estar vivo, desafiando as convenções da linguagem, apoiando-se na investigação de campo, interrogando-se sobre o trabalho de um escritor, no seu inferno pessoal. Revelar um pouco de tudo isso é o grande mérito deste livro, além, claro, dos muitos momentos vibrantes.»

Isabel Lucas, Público

 

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Saul Bellow centenário

«Amplamente reconhecido como um dos maiores romancistas americanos do pós-guerra, o “legado” do autor de Herzog é um dos mais fascinantes da literatura do século XX. Influenciado pela narrativa existencialista europeia e por Franz Kafka, Bellow foi assim descrito pelo seu amigo e protégé Philip Roth: “As fundações da literatura americana do século XX foram providas por dois escritores – William Faulkner e Saul Bellow. Juntos eles são o Melville, o Hawthorne e o Twain do século XX.” E Christopher Hitchens descreveu-o desta forma: “A ficção e as personagens principais de Bellow refletem a sua ânsia de transcendência, um combate para superar não só as condições de gueto mas também as psicoses do gueto.”»

Nuno Carvalho, no novo Máquina de Escrever.

 

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Alegria Breve, de Vergílio Ferreira

No ano em que se comemoram os 50 anos sobre a primeira publicação de Alegria Breve, a Quetzal disponibiliza uma nova edição deste importante marco da narrativa vergiliana.

 

«Ganharei o jogo? Perco sempre. Porque tentar ainda? Ganhar uma vez. Uma vez só. Às vezes penso: ganhar uma vez e não jogar mais. Esqueceria as derrotas, a memória do homem é curta. E no entanto... Começo a sentir-me bem, perdendo. Quer dizer: começo a não sentir-me mal. A capela de S. Silvestre já não brilha. Mas ainda se vê bem. É triste o entardecer, boiam coisas mortas na lembrança, como afogados. Uma nuvem clara passa agora não sobre o monte de S. Silvestre, mas sobre o outro, o pico d’El-Rei. É um pico menos aguçado, forma um redondo de uma cabeça. Há quanto tempo já lá não vais? Para o lado de trás, vê-se o sinal de uma aldeia (aldeia?), um sinal breve, trémulo, branco. Quando se olha, o tempo é imenso, e a distância — a vida é frágil e temos medo. Dou xeque duplo, vou-te comer a torre, Padre.»

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 A 16 de janeiro nas livrarias.

Simone de Beauvoir: redescobrir uma grande escritora

Inicialmente escrita para integrar a recolha La Femme Rompue (com a edição portuguesa intitulada A Mulher Destruída), esta novela (Mal-Entendido em Moscovo) acabou por ser excluída do referido livro.

 

Pela pertinência e atualidade do tema e pelo riquíssimo diálogo que o mesmo mantém com toda a obra de Beauvoir, este texto merecia, sem qualquer dúvida, uma edição autónoma.

 

Mal-entendido em Moscovo evoca a crise vivida por um casal de meia-idade ao longo de uma viagem à União Soviética: a deceção política cruza-se com um aparente desencontro sentimental, ligando a história individual à história coletiva.

 

No mesmo dia (23 de janeiro), chega às livrarias uma nova edição de O Segundo Sexo (volume 1). Mais de 60 anos volvidos sobre a sua primeira publicação, os temas que Simone de Beauvoir discute neste célebre tratado sobre a condição da mulher continuam a ser pertinentes e a manter aceso um debate clássico. Entretecendo argumentos da Biologia, da Antropologia, da Psicanálise e Filosofia, e outras áreas de saber, O Segundo Sexo revela os desequilíbrios de poder entre os sexos e a posição do «Outro» que as mulheres ocupam no mundo.

O Segundo Sexo é uma obra essencial do feminismo, e as suas considerações acerca dos condicionamentos sociais que levam à construção de categorias como «mulher» ou «feminino» ̶ e que estão na base da opressão das mulheres ̶ são hoje amplamente aceites.

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