Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Quetzal

Na companhia dos livros.

«Europa está sem guarda-redes, sem treinador e sem espírito de equipa»

Eduardo Paz Ferreira, autor de Da Europa de Schuman à Não Europa de Merkel, em entrevista à Rádio Renascença:

«Há uma metáfora futebolística no seu livro. O que é que quer dizer com uma União Europeia sem guarda-redes, sem treinador e sem espírito de entreajuda?
A ideia do guarda-redes tem a ver com o Banco Central Europeu, colocado como um banco independente que não pode auxiliar os Estados, como prestador de última instância. Confiscou aos estados a política monetária, deixando-os sem meios de se defenderem.

Sem treinador, porque não há um líder europeu consensual. A senhora Merkel conseguiu fazer sem armas aquilo que os alemães fizeram com armas e terror: subjugar totalmente a Europa.

Sem espírito de equipa, porque em vez de se ter afirmado a solidariedade entre os vários estados europeus, nunca a Europa esteve tão dividida entre norte e sul e entre ricos e pobres.»

I:\CAPAS - BERTRAND EDITORA\2014\Quetzal\09_Setemb

 

A civilização de Herzog

«Herzog tem outras dimensões notáveis: a descrição de Chicago como cidade imensa, amorfa, decadente; as vozes e os cheiros das gerações antigas; os esplendores e indignidades do corpo humano; o hipotético regresso ao campo; mas o aspecto decisivo é a paródia triste a um exacerbado sentimento moral num mundo que se supõe enfeudado à liberdade e ao conhecimento.»

Pedro Mexia, Expresso

 

I:\CAPAS - BERTRAND EDITORA\2014\Quetzal\09_Setemb

 

Amor e morte

«“O que há num nome?”, interroga-se a personagem de um dos nove contos que marcam a estreia de Sérgio Godinho na ficção para adultos. A personagem irá correr em busca desse sentido que o autor decidiu ser tão grande ou tão reduzido que o subtraiu, o nome. Não existem nomes, nem lugares, nem tempo a não ser o das estações do ano, os lugares que nos dizem se estamos em casa, numa cama, num teatro ou numa fábrica, ou os substantivos feminino e masculino, indicadores de uma tarefa ou de uma condição: actriz, pré-catastrofista, carrasco, amante. São contos acerca do resvalar do equilíbrio, do que sobrevive e morre em cada mudança, de memórias e esquecimento. Sobretudo no amor e na morte.»

Isabel Lucas, Público

I:\CAPAS - BERTRAND EDITORA\2014\Quetzal\10_outubr

 

Delírio íntimo

«Lê-se Vidadupla sem necessidade de conhecer a obra vasta do autor (que já tinha assinado outros livros, entre prosa e poesia), mas lê-se melhor reconhecendo nesta autópsia do quotidiano o gesto que vem das canções, entre um desabafo sobre os dias que passam e um delírio íntimo sobre o modo como podiam ter passado.»

Sara Figueiredo Costa, Time Out

 

I:\CAPAS - BERTRAND EDITORA\2014\Quetzal\10_outubr

 

A Roda Viva de Sérgio Godinho

Texto de Anabela Mota Ribeiro lido no lançamento de Vidadupla, na Ler Devagar. Agradecemos à autora a disponibilidade para partilhar estas palavras com os nossos leitores:

 

«Girar: andar à roda ou em giro. Andar sem rumo certo. Fazer circular.

Estas são algumas das acepções de um dos verbos mais usados por Sérgio Godinho em Vidadupla.

Podia recorrer a uma definição do autor, não usada para Girar, mas certeira: “A vida é viver a vida neste círculo”.

Estão prontos? Dou uma primeira volta na girândola, sem fogo-de-artifício, sem disparos. Sem anunciar propriamente o começo, o primeiro estalido, porque ele já foi, já teve um lugar e um acontecido, quando chamo a atenção para esse momento inaugural. Quer dizer, já estamos sentados no carrossel quando damos pelo carrossel e pela viagem, mais ou menos atónitos pelas luzes que nos acordam e nos dizem que estamos ali, desprevenidos ou seguros, com medo ou com vontade.

O movimento será circular. Avançaremos num passo errático, parecendo que vamos rumo ao futuro, como não pode deixar de ser, e sempre alimentados das esperanças do passado, como não pode deixar de ser.

Avançamos em direcção ao mais íntimos de nós mesmos, apontando para o coração da vida, e sempre falando da morte.

Reparem que não há um espaço, um abismo entre Vida e Dupla. A palavra é inteira. Como não pode deixar de ser. Querendo com isso dizer que contempla o que está para lá dela, nomeadamente os enredos que inventamos para nós mesmos, os começos de vida, as aproximações à morte, as perdas e as ilusões, o que nos faz parar e o que nos dá o ímpeto de avançar. Neste Vidadupla, escrito num movimento contínuo, circular, está a morte, a de letra grande, que é aquela em que podemos pensar por estarmos do lado da vida. Ou seja, não existe morte do lado da morte, simplesmente porque nesse outro lado não existe nada. Pelo menos, não temos notícia de nada.

Desde que li pela primeira vez estes contos – contos ou micro-narrativas ou divagações poéticas ou dissertações filosóficas –, encontro neles a Alice de Lewis Carroll a experimentar uma sensação de estranheza em relação à vida que vê. “Que é isto?”, pergunta ela. Em que lugar estamos? Também penso naquela personagem do filme Rosa Púrpura do Cairo, de Woody Allen, que vai para o cinema para afogar a tristeza de uma vida pobre. Essa mulher, que é batida pelo marido e maltratada pelo chefe, alimenta-se de sonhos, e recebe, com naturalidade, uma intromissão da fantasia na sua vida concreta, o galã pelo qual suspira que sai da tela e a leva a jantar. A pergunta que sempre me faço quando vejo o filme e penso nele é: de que lado do ecrã é que estamos? E de que lado queremos estar. Não se trata de tola credulidade, de um romantismo bacoco. Trata-se de uma interrogação muito firme. De que lado da vida é que estamos? E o que é que acontece em nós quando conseguimos uma distância, uma distância que nos permite interrogar as coisas na sua essência, que nos permite perguntar pelo sentido?

Essa dobra, esse lugar que ocupamos ao fazer a pergunta, esse estar fora de órbita que possibilita ver a Terra como um planeta inteiro, é uma sensação rara e preciosa. Tive essa impressão em diferentes momentos deste livro. A de estar “no mapa do mundo”, “procurando o centro do mundo”, entre a “origem” e o “fim”, numa “terra do sempre”, em “rotação”. E, o que é mais espantoso, tive uma sensação de ubiquidade, de estar aí – na interrogação – e de estar naquilo que é interrogado. Numa linha, estive o tempo todo na vida e morte.

E estive com uma pessoa que não quer morrer, e que, por vezes, pareceu-me, diz com ferocidade que não quer morrer. Que quer continuar o movimento. Que quer estar disponível para o milagre do que vem do ecrã e se intromete no concreto das nossas vidas.

Portanto este é um livro em que a morte está por todo o lado. E estranhamente luminoso, mais do que a frase anterior faz supor. Talvez por isso a sua atitude nunca é de derrota ou desistência. Tem mais um tom: ainda não é desta que me apanhas, dirigido à tal senhora que anda com uma gadanha.

Portanto este é um livro de uma vida que contempla sempre o seu fim, a sua face dupla, mas que tem, além disso, os seus fins e os seus começos, as muitas vidas que cabem numa vida. E, em última instância, tem o relato de uma vida, gesto que a absolve, mais não seja, pelo facto de ser narrada. Uma palavra, uma narrativa, uma memória ficam, não passam, deixam uma cicatriz.

Outra imagem poderosa para Vidadupla é a de um espelho. O que é reflectido quando nos olhamos? E se for a vida, aquilo que mostramos, o que é que aparece exactamente? Vida vida. Vidadupla. Vida ao quadrado. Novamente a ubiquidade: o que é mostrado ao espelho, o que está reflectido nele. E depois, como se diz em “Osmose”, “Um espelho é reflectir e depois reflectir sobre isso”. Há ainda a reflexão sobre o que aparece reflectido. São movimentos diversos, dobras sucessivas.

E novamente estamos nós nos dois lugares disponíveis: o da plateia e o da arena. Estamos no centro da acção, executores desse movimento circular, e estamos a assistir a quem vamos sendo, espectadores contentes e descontentes, mais ou menos comprometidos. Dominamos a acção, somos levados na enxurrada. Desdobramo-nos em papéis, em vidas e sobrevidas. Enquanto isso, a vida roda e o tempo muda de lugar. “O tempo rodou num instante nas voltas do meu coração”, como escreve Chico em Roda Viva.

Há um momento no livro em que uma personagem diz entre parêntesis: “Queria falar da minha história de amor, mas está difícil”. Não sei se alguns dos que nos ouvem pensam: queria ouvir falar deste livro mas está difícil. Lamento o desapontamento, mas o que sublinho nele, antes de ir aos enredos, às histórias de amor, às pessoas como nós, é o movimento, o impulso em que a vida é vida. Porque isso nos faz – me faz – viver. O pendor filosófico de Vidadupla, que é tão forte quanto o poético, é um dos seus triunfos. É o pensamento a acontecer, a dúvida, o júbilo, o espanto.

Podia repetir estas palavras – dúvida júbilo espanto – sem vírgulas, sem pausas, num movimento osmótico. É verdade que não estão ligadas por um hífen, e existe um espaço entre elas, onde as escrevo. Mas estão ligadas sabe-se lá por que sortilégio. É um recurso usado por Sérgio Godinho em algumas das ficções deste livro. Por exemplo: soprando gritando estourando.

É um ritmo sincopado, suspirado, ligado entre si, ora acelerado ora lento. É uma coisa que vem da música, uma forma de refrão que atribuímos a um autor, a uma identidade, um modo de fazer que é próprio. Mas esta música é do ficcionista, é menos do escritor de canções. Está aqui.

Quem são estas pessoas em quem Sérgio Godinho se desdobra e nos implica? Eu diria que são pessoas à procura do seu equilíbrio, muitas vezes desfasadas do tempo e de si próprias. O caso mais eloquente é o de um homem falso culpado que tem um álibi de que não precisa e do qual fica refém. Um homem que tropeça nos ardis do dia, e é acusado de atropelar um rapaz. Um homem que tem um jovem amor que “desafinava a chorar”. Impressionou-me muito esta imagem de uma pessoa que desafina a chorar, que parece fora de tom, des-sintonizada da outra pessoa e da música do mundo e cujo lamento não tem lugar ali. Estão a ver? É uma sucessão de equívocos. Porque não se diz que ele não tem razão para chorar; o que se diz é que o choro não é dali ao dizer que chora e desafina ao mesmo tempo.

Esse homem que atropela, ou que pensa que atropela, pergunta-se quem estaria, simbolicamente, no lugar daquele que é atropelado. O que é que morria ali. O conto leva-nos a equacionar o que é a verdade e a mentira, onde começa a culpa, onde acaba a inocência. Mostra, sobretudo, que é muito fina a passagem de um lado a outro lado do biombo. Quase sempre é assim na nossa vida, por mais que julguemos espessas as paredes.

Outro personagem: o carrasco. É nessa ficção que se pode ler: “E por vezes, preparar-me para ouvir o som da alma”. Não quero dizer mais nada sobre este conto, fico-me pelo que o Sérgio faz nestas páginas: ouvir o som da alma. Uma hipótese para este movimento: deitar o ouvido, com cuidado, e procurar o silêncio. Começar por ouvir ruído, ruído, e depois ficar atento, concentrar, focar, para saber o que nesse ruído é essencial, nuclear, o mais íntimo do ser. Essa é a voz que o Sérgio procurou e seguiu.

Há nesta galeria um pré-catastrofista, que prevê a morte de um amigo, submerso no fundo das águas. Há duas operárias que giram as suas vidas, giram as rodas das suas bicicletas, giram o “antes” e o “depois”, o “prólogo” e o “epílogo”; uma delas escreve contos; e o conto que escreve sobre a outra começa assim: “A injustiça, o tempo cortado, a bicicleta a apanhar ferrugem”. Acho particularmente feliz a associação da ideia de tempo interrompido com a ideia de ferrugem. Sabe-me a vida por viver, a roda que não roda e por isso não é viva.

No último conto há um homem que perde as coordenadas e vai dormir perto da mulher que morreu, que leva uma vida dupla na acepção mais comum da expressão. Tem uma casa e escolhe por casa um lugar inóspito, desabrigado do conforto e que assim dá abrigo ao seu afecto. Uma gare de comboios, lugar de partidas e chegadas. Fica ali encravado, sem conseguir encontrar um trilho, de novo, fica ali até encontrar, de novo, um trilho.

No primeiro, há uma actriz e um lençol puído. Querem ouvir um verso poético? “... sempre na esperança de sentir no meu amor rugoso a pele lisa dos inícios.” O livro está todo aqui: no rugoso e no liso, na turbulência do amor e na planura pós-cataclísmica que permite recomeçar. E recomeçar com esperança. Como disse, este é um livro com a morte a rondar, a rondar, mas de tonalidade mais luminosa que sombria. Há nele uma vontade de viver expressa de diferentes modos.

Deve ser por isso que, com grande liberdade interpretativa, leio no lençol deste primeiro conto uma membrana uterina. É certo que o lençol pode funcionar também como uma mortalha. Mas para mim, esta membrana já puída, que urge rasgar, é aquela que nos separa da vida que há para viver.

Aqui fica o meu primeiro gesto, o rasgo. Agora passo o manípulo da girândola ao autor.»

C:\Users\bamaral\Desktop\lançamento vidadd.jpg

 

A Mística de Putin - já nas livrarias

«Não quis tanto contar a história sobre a vontade de mandar, mas sim daqueles que seguem o poder na Rússia porque quase nunca olhamos com atenção para os sentimentos de milhões de pessoas que seguem ou se submetem a esse poder ", disse a autora de ‘A Mística de Putin’ lançado sexta-feira em Portugal.

Anna Arutunyan, 34 anos, nasceu na União Soviética mas estudou nos Estados Unidos, tendo regressado a Moscovo em 2002, onde é editora do jornal Moscow News.

O livro analisa a governação e o poder de Vladimir Putin, mas sobretudo procura respostas para o entendimento sobre o nível de aceitação do líder por parte dos russos.

"Não há uma resposta simples. Porque é que as pessoas não se revoltam? Não interessa saber se é bom ou bom porque são mecanismos de adaptação que funcionam. Quando deixarem de funcionar, deixam de funcionar mas, por agora, funcionam", diz a escritora e jornalista.»

No Notícias ao Minuto.

 

I:\CAPAS - BERTRAND EDITORA\2014\Quetzal\10_outubr

 

"Sou uma viúva de François Hollande"

«Cidadão nascido nos Açores e europeísta convicto, é o que a badana do livro reza sobre o autor do livro "Da Europa de Schuman à Não Europa de Merkel". Eduardo Paz Ferreira é, com o seu humor, sagacidade e ironia, um dos maiores críticos desta Europa realmente existente e um dos maiores defensores de uma utopia continental. Se o sonho vale sempre, resta saber se ele é possível no quadro da União Europeia que temos.

 

Esta Europa é reformável?

Nós todos, os cidadãos europeus, gosto muita dessa ideia mesmo que ela na prática não corresponda a nada, debatemo--nos com esta pergunta. Recuperando a conhecida frase de Gramsci que fala do optimismo do coração e do pessimismo da razão, acho que depende muito da coragem e da capacidade de actuar. Se a questão é se a Europa é reformável, com esta nova Comissão, é óbvio que não. Pedro Adão e Silva dizia no outro dia que este livro é uma tragédia, apesar de eu próprio ter tentado, no capítulo final, arranjar algumas pálidas razões de optimismo, como o Parlamento Europeu ter assumido a tarefa de aprovar o presidente da Comissão Europeia e começarem a aparecer alguns pequenos sinais de reformismo pela voz do actual primeiro-ministro italiano. Esses sinais são semelhantes àqueles que existiram há uns tempos quando François Hollande, depois de ser eleito, fez aquele discurso em que dizia: Europa, cheguei, estou aqui e vou convencer toda a gente de que é preciso acabar com a austeridade. E depois fez aquilo que toda a gente sabe...

O que garante que Renzi vá ser diferente de Hollande? Lembro-me que a última vez que o entrevistei tinha muitas esperanças no novo presidente francês.

É verdade, hoje em dia passo o tempo a penitenciar-me desses erros e a dizer que sou uma viúva do Hollande: ele tem uma série de senhoras a quem vai visitar de motoreta e depois tem um número infinito de viúvas que acreditaram que ele ia ser um líder esclarecido da França e da Europa, e depois saiu aquele trapalhão sem ponta por onde se lhe pegue.»

 

Eduardo Paz Ferreira entrevistado por Nuno Ramos de Almeida no i.

I:\CAPAS - BERTRAND EDITORA\2014\Quetzal\09_Setemb

 

Um desejo antigo

«A escrita tem estado sempre presente numa vida que se desdobra nas canções, no teatro, no cinema, em livros infantis e juvenis, crónicas e poesia. A sua mais recente aventura literária surge agora como ficção, em "Vidadupla", uma série de contos, feitos de histórias a partir de impressões do que se vê e do que se imagina. No livro, como na vida, mudam-se os assuntos, uns e outros somam-se para serem dois ou mais que isso. Depende da vontade de criar e de onde ela levar.

Depois de vários livros de diferentes géneros e das canções, chega agora à ficção com este "Vidadupla". Era um desejo antigo?

Sim. Sempre gostei muito da escrita e da escrita dos outros, fui um bom leitor e no fim de contas fiz um bocadinho de ficção com as histórias infantis - é ficção, mas não é uma ficção como se pode considerar aqui. Era uma coisa que estava latente e há cerca de ano e meio comecei a escrever um conto que está no livro, embora numa versão um pouco diferente, que é as "Notas soltas da corda e do carrasco". Um processo que até para mim é um bocadinho misterioso. De repente abriu-se ali uma porta para fazer outras coisas e perseguir uma forma de conto, ficções e personagens que se vão criando e tendo vida à medida que as vamos moldando. Pensei que um dia talvez fosse por aí.»

 

Sérgio Godinho em entrevista ao i. Vidadupla já está nas livrarias.

 

I:\CAPAS - BERTRAND EDITORA\2014\Quetzal\10_outubr

 

Os Heróis da Contra-Revolução

«Ninguém tinha, até hoje, relatado por dentro a fuga de Alcoentre, envolta em ambíguas declarações oficiais e relatos jornalísticos imprecisos e desinformados. Uma confusão idêntica à que envolve o próprio processo judicial de Manuel Gaspar, diz Ricardo de Saavedra, que não obstante todas as tentativas e pesquisas, não conseguiu encontrar o processo.

                “Talvez tenha sido enviado para Moscovo, como aconteceu a outros”, ou é tão irregular que terão sido os próprios juízes, envergonhados, a fazê-lo desaparecer. Nos únicos documentos a que teve acesso, como o libelo acusatório, o nome que aparece é o de Paulo César da Cruz, um dos pseudónimos dos vários documentos falsos de Gaspar. “Eles nunca conseguiram identificá-lo”, diz Ricardo. “Acabaram por julgar e condenar um pseudónimo.”»

Reportagem de Paulo Moura, no Público, sobre O Puto – Autópsia dos Ventos da Liberdade, de Ricardo de Saavedra.

I:\CAPAS - BERTRAND EDITORA\2014\Quetzal\10_outubr

 

 

 

Pág. 1/2