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Quetzal

Na companhia dos livros.

O Puto, de Ricardo de Saavedra, a 10 de outubro nas livrarias

 

Nos anos da Revolução, este homem participou em atentados que puseram o país a ferro e fogo. A voz do comandante Paulo, «o Puto», ouve-se agora pela primeira vez. E conta tudo.

 

Aos 17 anos foi bater à porta da tropa para ser comando, e o lendário capitão Jaime Neves chamou-lhe «Puto». E «Puto» ficou. Depois participou no 7 de Setembro de 1974; prenderam-no, e evadiu-se da penitenciária. Voltaram a prendê-lo, e fugiu da Tanzânia antes de ser fuzilado. De refugiado na África do Sul seguiu para Angola; assaltou quartéis para obter armas, formou o esquadrão Chipenda, conquistou cidades após cidades para a FNLA. Aí deixou de ser «Puto» para ser Paulo, comandante Paulo.  Colaborou na evacuação de Moçâmedes e ia morrendo à sede no deserto. A seguir, o Puto e os outros vieram para Portugal. Queriam apresentar a factura – foi a altura dos atentados bombistas (na Associação Portugal-Moçambique, na torre do radar do aeroporto, em duas torres de alta tensão na Vialonga), uns atrás dos outros, até voltar a ser preso e condenado, primeiro a 16 e no final a 34 anos de cadeia. Mas nem o comandante Paulo nem os seus camaradas eram de ficar presos; cavaram um túnel na segunda mais segura cadeia da Europa, em Alcoentre, e dali escaparam 131 prisioneiros, na maior fuga de que no Ocidente há notícia.

 

Ricardo de Saavedra entrevistou o Paulo, em Joanesburgo, em 1979, e escondeu as cassetes. Agora apagou as perguntas, apurou o texto e dá-nos um relato impressionante, mais vivo que qualquer romance, onde a realidade ultrapassa a mais incrível das ficções. Onde a realidade dói e a leitura é imparável.

Lançamento de Mustang Branco, de Filipa Martins

Foi na passada sexta-feira, numa Ler Devagar repleta, que lançámos o novo romance de Filipa Martins, Mustang Branco. José Alberto Carvalho apresentou; Inês Meneses, Fernando Alvim e Nicolau Santos leram excertos da obra; Marta Pereira da Costa (guitarra) e Carlos Manuel Proença (viola) ofereceram um magnífico momento musical.

 

 © Jorge Simão

 

 © Jorge Simão

 

© Jorge Simão

O verão não foi dos melhores mas ainda temos As Praias de Portugal

«Sobre as praias em si, destacados ficam os capítulos “De Pedrouços a Cascais”, “Póvoa de Varzim” ou “A Foz”. Porém, o ritmo tende a apressar-se, não havendo um discurso muito demorado, não tanto como há sobre as peculiaridades das áreas circundantes, ou as vicissitudes dos alojamentos e restauração. Ortigão reserva uma introdução e um terceiro lote de capítulos ao lado científico e mitológico do mar, da água e do banho. Sobre o mar, confirma-se a essência de ser português; dada a pequena área terrestre de que dispomos numa direcção enveredamos pela outra, o promissor Atlântico, diminuindo assim os limites da fronteira e alavancando sonhos. Não será de estranhar, por isso, a exaltação feita a clássicos como Os Lusíadas ou História Trágico-Marítima, elogios tecidos por Ortigão à alma portuguesa sofrida, que triunfa perante adversidades.»

 

Nelson Ferreira, Deus me Livro

 

Um enorme divertimento

«Kinsgley Amis tinha quase 50 anos quando concluiu este enorme divertimento, um romance hilariante que brinca com dois tipos de fantasmas: os escorregadios e nómadas que brincam às histórias do antigamente, e os outros mais sedentários e definidos que assombram a vida sexual de todos os dias.»

 

Rui Lagartinho, Ípsilon

 

FIL Literary Award atribuído ao escritor italiano Claudio Magris

 

O escritor italiano Claudio Magris venceu a edição deste ano do prestigiado FIL Literary Award. O prémio, no valor de $150,000, é outorgado anualmente a escritores de línguas românicas e distingue o conjunto da respetiva obra. A entrega do prémio será realizada durante a inauguração da Feira do Livro de Guadalajara, no México, no próximo dia 29 de novembro. Entre os anteriores galardoados contam-se grandes nomes da literatura contemporânea como o poeta chileno Nicanor Parra, os romancistas brasileiros Rubem Fonseca e Nélida Piñon e António Lobo Antunes.

 

A Quetzal tem vindo a publicar a obra de Claudio Magris, em que se destacam Danúbio, A História Não Acabou, Às Cegas e Alfabetos, livro que o escritor apresentou o ano passado na Casa Fernando Pessoa.

Histórias de fantasmas

«O Homem Verde é, assim, uma obra híbrida: não foge às convenções do género das histórias de fantasmas, com alguém que vê outros não vêem, satiriza uma certa sociedade inglesa entediada e arrisca uma reflexão sobre os limiares da morte. “Tenho de admitir que certos fantasmas conseguem encenar um espetáculo notável de regresso ao nosso mundo”, diz uma das personagens. A culpa será certamente de romances tão bons e divertidos como este.»

 

Luís Ricardo Duarte, Time Out

 

José Luís Peixoto, J. Rentes de Carvalho, David Foster Wallace e a estreia na ficção de Sérgio Godinho: as novidades editoriais da Quetzal até final do ano.

O editor da Quetzal, Francisco José Viegas, na apresentação das novidades da chancela

 

Foram ontem apresentadas à imprensa as apostas da Quetzal até final de 2014, com destaque para o novo romance de José Luís Peixoto, cuja capa será divulgada esta tarde na Fundação Saramago, por ocasião do 40º aniversário do autor de Livro.

 

Outra das novidades da rentrée é a estreia na ficção de Sérgio Godinho, com o livro VidaDupla, que será publicado a 10 de outubro. Antes disso, em setembro, chegam às livrarias Herzog, do Prémio Nobel Saul Bellow, Mustang Branco, de Filipa Martins (primeira obra da escritora na Quetzal), e Montedor, o primeiro romance de J. Rentes de Carvalho, publicado originalmente em 1968.

 

Em novembro, a Quetzal publicará O Rei Pálido, o romance inacabado de David Foster Wallace, e que constitui o seu testamento literário e filosófico.

 

Na área da não-ficção, serão publicados quatro títulos até final do ano. Dois deles – Da Europa de Schumann à Não Europa de Merkel, de Eduardo Paz Ferreira, e A Mística de Putin, de Anna Arutunyan – são livros bastante oportunos e que fornecem pistas para a compreensão do desvio aos princípios da construção europeia, no caso do primeiro, e para o entendimento da complexa personalidade política de Vladimir Putin, no caso do segundo.

 

Finalmente, Marcello Caetano. Um Destino, de Luís Menezes Leitão, e O Puto, de Ricardo de Saavedra, são duas abordagens complementares, mas igualmente surpreendentes, sobre duas figuras muito distintas da história contemporânea de Portugal.