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Quetzal

Na companhia dos livros.

Montedor, o primeiro romance de J. Rentes de Carvalho, a 5 de setembro nas livrarias

Ao longo das gerações são sem conta as famílias portuguesas onde há alguém como o triste protagonista de Montedor: rapaz sem futuro, com um passado apenas de sonhos, arrastando-se num presente que é verdadeira morte lenta.

 

Mau grado a simplicidade das personagens e das cenas, há no romance uma tensão permanente, pode com verdade dizer-se que quase cada página encerra um momento dramático, ou antecipa uma tragédia, a qual, talvez porque raro chega a acontecer, cria um desespero cinzento, retratando bem, e cruamente, os medos e o sofrimento da sociedade portuguesa, passada e presente.

 

Publicado pela primeira vez em 1968, Montedor é o romance de estreia de J. Rentes de Carvalho, sobre o qual escreveu José Saramago: «O autor dá-nos o quase esquecido prazer de uma linguagem em que a simplicidade vai de par com a riqueza (…), uma linguagem que decide sugerir e propor, em vez de explicar e impor.»

 

Um romance de interrogações

«Romance de géneros, e da violentação deles, O Tempo Morto É Um Bom Lugar é duplamente uma autobiografia, sem nunca o ser: de Soraya, personagem assassinada e autobiografada não se sabe por quem; e, muito mais subterraneamente, do próprio Manuel Jorge Marmelo, enquanto ex-jornalista. Policial que exibe as pistas para, de seguida, as aniquilar, a junção de todas as suas entradas produz, sobretudo, caminho, e não chegada. Porque este livro interroga, não apresenta soluções.»

 

Hugo Pinto Santos, Ípsilon

 

Um insólito teatro de marionetas

«Mexendo os fios com mestria, Marmelo faz da coda melancólica do romance uma belíssima representação dos prodígios e ilusões da literatura. Se existir a verdade, como diz a dada altura uma das personagens, “pode muito bem ser uma coisa que não interessa a ninguém”. E o mais certo é termos de nos resignar, queiramos ou não, ao facto de que “a realidade e a aparência das coisas às vezes se confundem de uma forma tão íntima que se torna impossível destrinçá-las”.»

 

José Mário Silva, Expresso

 

Um romance inédito em Portugal

«Escrito em 1955, “A casa da aranha” (Quetzal Editores, 2014) permanecia por publicar em Portugal. Depois de inaugurar com “Viagens” uma série dedicada a Paul Bowles, a Quetzal edita agora este magistral romance do escritor norte-americano, passado em Fez, «uma cidade medieval em funcionamento no século XX.»

 

Apesar de à imagem de outros livros de Bowles estar nele espelhado o conflito entre civilizações, “A Casa da Aranha” leva ao extremo a clivagem entre a cultura árabe e a do descolonizador francês, apresentando uma história «não sobre o padrão tradicional da vida em Fez, mas sobre a sua dissolução.»

 

Pedro Miguel Silva, Deus me Livro

 

Uma mulher poderosa

«A história da China é um intrincado puzzle que nos seus tempos ancestrais tinha na figura omnipresente e omnipotente do Imperador, um cruzamento entre o Homem e um ser divino. O povo, completamente subjugado perante tal colossal força, enfrentava a vida como uma consequência das filosofias, politicas, desejos e caprichos do seu Senhor.

 

Cixi, uma das mulheres mais fortes da história chinesa, foi uma dessas marcantes personagens e ficou conhecida com a “Imperatriz Viúva”. O seu governo durou décadas e fez a difícil transição entre a era medieval e os tempos modernos. Viveu entre 1835 e 1908 e subiu na hierarquia imperial chinesa de forma meteórica depois de chegar ao convívio do Imperador como uma concubina incluída nos níveis inferiores.

 

Sob a forma de um fascinante documento bibliográfico, Juan Chang, a conhecida autora de livros como “Cisnes Selvagens”, transforma “A Imperatriz Viúva – Cixi, A Concubina que Mudou a China” (Quetzal, 2014), num completíssimo e apaixonante perfil de uma mulher que ousou desafiar tradições, mitos e personalidades tendo como fim em si mesmo o progresso da colossal China, um país que chegou a deter cerca de um terço da população mundial.»

 

Carlos Eugénio Augusto, Rua de Baixo