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Quetzal

Na companhia dos livros.

A biblioteca finita de Borges

«Apesar de ter resultado num projecto inacabado, a “Biblioteca pessoal” (Quetzal, 2014) de Jorge Luis Borges é um livro extraordinário, que mostra todo o poder de síntese e a genialidade do escritor argentino que, em cerca de duas páginas por entrada, nos apresenta a um autor da sua preferência, naquilo que seriam, em princípio, os prólogos de textos maiores, quase enciclopédicos.»

 

Pedro Miguel Silva no seu mais recente projecto, deus me livro.

 

Despertar consciências

«O Tempo Morto é um Bom Lugar – título paradoxal – , último romance de Manuel Jorge Marmelo, escritor distinguido com o Prémio Literário Correntes d’Escritas 2013, que, de certo modo, consagrou a sua obra como uma das mais importantes do universo romanesco português dos últimos vinte anos. […]

À componente realista, os últimos romances de Manuel Jorge Marmelo acrescentam a vertente de crítica e denúncia sociais, um pouco ao modo de Rui Zink. Neste sentido, atacando os atuais padrões culturais e políticos da sociedade portuguesa, os seus romances não são eticamente neutros nem culturalmente asséticos. Pelo contrário, não se tornando uma arma política, intentam, por via da sátira, da ironia, despertar a consciência crítica do leitor face à existência de uma sociedade profundamente desigual e injusta. Destinam-se, portanto, a contaminar a consciência do leitor do sentimento de revolta e, se possível, de sedição.»

 

Miguel Real, Jornal de Letras

 

“Os heróis discretos são a grande reserva moral de um país”

«O problema é que a literatura hoje em dia vive uma crise muito profunda, converteu-se sobretudo em entretenimento, perdeu a sua pugnacidade, a sua beligerância crítica, e busca sobretudo entreter. E o entretimento também é uma espécie de adormecimento, uma maneira de desmobilizar criticamente os cidadãos. Creio que essa crise da cultura, que é muito profunda na minha opinião, pode ter um efeito gravíssimo na vigência da democracia e da liberdade. Pela primeira vez na história, o pesadelo de [George] Orwell, de uma ditadura tecnológica, com um absoluto controlo sobre a vida das pessoas, um mundo de cidadãos convertidos em autómatos, já é possível. Isso acontece por causa da degradação da cultura no nosso tempo.»

 

Mario Vargas Llosa em entrevista ao Público.

 

Amor e Felicidade

«O seu livro começa com uma frase de Borges: “Felizes os amados e os amantes e os que podem prescindir do amor”. Do que é que gosta nesta frase?

 

É uma afirmação interessante porque dá a entender que aqueles que prescindem do amor também conseguem ser felizes. Sempre tive essa impressão: associar felicidade e amor é uma autêntica estupidez. A frase encaixa bem naquilo que conto neste livro, cheio de personagens em plena procura sentimental mas todas elas infelizes sem exceção. Amor e felicidade não são conceitos confinantes, não obstante o que nos dizem os contos de fadas. Procurar realizar-se através do amor é uma imposição social que torna muitas pessoas infelizes

 

Yasmina Reza, autora de Felizes os Felizes, em entrevista ao El País.

 

Ginga

«De vez em quando, as coisas não corriam de feição no Império Português em África. O novo romance de José Eduardo Agualusa relembra-nos o tempo em que os holandeses cobiçavam Luanda, percebendo as fraquezas da pequena metrópole tomada pelos Filipes de Castela. Longe da pequenez da capital, numa altura em que o século XVII ainda era quase uma novidade, um padre pernambucano chega a Angola e tem uma visão que não é a de Nossa Senhora: “Na manhã em que pela primeira vez vi Ginga, fazia um mar liso e leve e tão cheio de luz que parecia que dentro dele um outro sol se levantava. Dizem os marinheiros que um mar assim está sob o domínio de Galena, uma das nereidas, ou sereias, cujo nome, em grego, tem por significado calmaria luminosa, a calmaria do mar inundado de sol.”

 

O relato celestial de Francisco José de Santa Cruz não vai permanecer idílico, pois em breve, quando a luz se dissipar, perceberá que avistou sem ainda o desconfiar uma das mulheres mais controversas da história de Portugal em África ou de África em Portugal. Dona Ana de Sousa, ou Ngola Ana Nzinga Mbande, ou Rainha Ginga (1583-1663) foi uma rainha dos reinos do Ndongo e de Matamba, no Sudoeste de África. O seu título real na língua quimbundo — Ngola — foi o nome utilizado pelos portugueses para denominar Angola.»

 

Rui Lagartinho, Ípsilon

 

Ali Smith na longlist do Booker

Ali Smith, de quem a Quetzal tem vindo a publicar a obra, é uma das presenças na longlist do Man Booker, com o romance How to be Both. Este ano, pela primeira vez na história do prestigiado prémio, podiam concorrer autores norte-americanos, o que fez com que nesta primeira lista de finalistas constem os nomes de Siti Hustvedt, Richard Powers, Joshua Ferris e Karen Joy Fowler.

 

O último livro de Ali Smith publicado pela Quetzal foi O Passado é um País Estrangeiro (There But For The), que chegou às livrarias em novembro de 2013.

 

Ler a notícia no Guardian.

 

A literatura como arma contra as injustiças

«Vargas Llosa afirmou que é de um tempo em que os escritores acreditavam na literatura como "arma eficaz para combater as injustiças, em que as palavras eram armas, como escreveu Jean-Paul Sartre, e com elas se podia influenciar a história e, como escreveu Arthur Rimbaud, mudar a vida”.

 

[...]

 

Llosa afirmou que acredita que a literatura deve “combater eficazmente os demónios e os males que grassam numa sociedade”.

 

“Desde logo que a literatura é uma forma de entretenimento”, afirmou e referiu “os homens e mulheres que, depois de uma dura luta diária, procuram num livro uma forma de evasão”, mas defendeu que a literatura não pode ser apenas isso, pois “o mundo em que vivemos é sempre insuficiente para satisfazer todos os nossos apetites e desejos”, e que esta “insatisfação, este entendimento das imperfeições da realidade foi sempre o grande motor das transformação, da rebeldia, da mudança. Do progresso e do colocar em causa o statu quo”.»

 

Diário Digital sobre a cerimónia de atribuição do doutoramento honoris causa pela UNL ao prémio Nobel Mario Vargas Llosa

 

 

Mario Vargas Llosa em Lisboa para receber doutoramento honoris causa

Mario Vargas Llosa, prémio Nobel da Literatura em 2010 e autor de quem a Quetzal já publicou O Sonho do Celta, A Civilização do Espetáculo e O Herói Discreto, recebe esta tarde em Lisboa o título de doutor honoris causa, atribuído pela Universidade Nova de Lisboa.

 

 

«Mario Vargas Llosa, de 78 anos, é o escritor peruano que ajudou a “renovar o romance”, diz Nuno Júdice, que propôs este ano que o prémio Nobel da Literatura de 2010 recebesse o grau de doutor honoris causa pela Universidade Nova de Lisboa (UNL). Esta terça-feira às 18h, na Reitoria desta universidade, recebe a distinção enquanto passa férias em Portugal.»

 

Ler no Público.

 

«“A atribuição do título justifica-se pela relevância da obra no contexto da literatura ibero-americana, reconhecida, em 1994, pelo Prémio Cervantes, e, num plano mundial, pelo Nobel da Literatura, recebido em 2010”, e pelo facto de a estas distinções se juntarem ainda os prémios PEN/Nabokov, Príncipe das Astúrias e Grinzane Cavour, afirma em comunicado a Casa da América Latina (CAL).»

 

Ler no i.

 

 

 

A mitologia da praia

«Uma praia é uma mitologia. Pouco importa se gostamos mais ou menos de praia, e não importa onde fazemos praia. Esse verbo, “fazer”, diz tudo, a praia é uma actividade, faz-se, mesmo quando não fazemos nada o tempo todo. Porque a praia não é apenas uma estância, uma experiência, uma temporada, é também uma memória que nos define. Parafraseando Camões: segundo a praia que tiverdes, tereis um entendimento. […]

 

Talvez alguém encontre uma dessas suas praias num livro de Ramalho Ortigão chamado “As Praias de Portugal: Guia do Banhista e do Viajante” (Quetzal). Estávamos em 1876, era outro país, outros hábitos, de tal modo que neste voluminho nem aparece o Algarve, que mais tarde seria quase sinónimo da praia portuguesa. Também não faria parte do meu guia pessoal, não por causa do Algarve, que está de todo inocente, mas do meu Algarve, uma mitologia de experiências desgostosas, decepcionantes e desconfortáveis, que prefiro esquecer, mas que nunca esqueço.»

 

Pedro Mexia, Expresso

 

Campo Santo, de W. G. Sebald, chega hoje às livrarias

«Brilhante, triste, exuberante.»

The Boston Globe

 

«Em tudo o que escreveu – da mais completa realização literária à mais breve recensão crítica –, Sebald encontrou sempre uma maneira de chegar ao seu imperativo moral.»

Slate

 

Publicado logo após o acidente que vitimou Sebald, em 2001, este volume reúne textos sobre uma estada na Córsega. Aí, uma vez instalado num pequeno hotel, à semelhança do «método» utilizado noutras obras para aceder aos caminhos da memória – coletiva e individual –, dá longos passeios solitários pela ilha. Estas são, portanto, as notas de um viajante do tempo, na sua contínua busca pelo sentido profundo da História.

 

Ao conjunto de textos sobre a Córsega, segue-se uma série de pequenos ensaios literários sobre Nabokov, Kafka e Chatwin, entre outros.

 

Biografia de um som

«Este livro não é apenas para melómanos. É para todos os que gostam de boas histórias e muito boa literatura. “…O jazz não é uma forma hermética. Aquilo que o faz ser uma forma de arte vital é a sua espantosa capacidade para absorver a história da qual faz parte.” É também essa história que aqui está.»

 

Isabel Lucas, Sábado

 

Lançamento de O Tempo Morto é um Bom Lugar

O novo romance de Manuel Jorge Marmelo, escritor recentemente distinguido com o Prémio Correntes d’Escritas/Casino da Póvoa, terá o lançamento oficial no próximo dia 24 de julho, às 19h00, na Livraria Bertrand, no Shopping Cidade do Porto. O escritor Valter Hugo Mãe fará a apresentação deste livro, O Tempo Morto É um Bom Lugar, que narra a história de um jornalista desempregado que se vê envolvido com a estrela de um reality show a fim de lhe escrever a autobiografia.

 

Dois Hotéis em Lisboa

«Lisboa, Junho de 1940. Numa Europa a ferro e fogo, a capital portuguesa fervilha, arrancada ao seu torpor pela chegada contínua e caótica de refugiados que tentam escapar às perseguições nazis. A neutralidade (periclitante) de Portugal e a sua posição geográfica fazem do país o destino natural para o caudal incontrolável de fugitivos. Ao Rossio, a “praça nobre” da capital, afluem pessoas das mais variadas nacionalidades, culturas e classes sociais. Cruzam-se, confraternizam, desconfiam umas das outras, enquanto esperam que os navios com destino aos Estados Unidos atraquem no cais, dando-lhes a possibilidade de embarcar. Uns têm dinheiro, outros nem tanto, mas o dinheiro é (quase) tudo: a possibilidade de sobreviver, de mudar de vida, de contornar a burocracia, de manter um certo conforto, ou, simplesmente de ocupar os dias em excursões e repastos, numa tentativa de manutenção de uma certa normalidade. Não são turistas, não são agradáveis passeantes, é gente suspensa entre mundos, dilacerada por sensações e sentimentos contraditórios como alívio, medo, tédio, uma espécie de loucura, um desejo de aventura.»

 

Helena Vasconcelos, Ípsilon

 

 

 

Imperatriz e concubina

«Não se podia sentar no trono. Tinha de estar atrás de um biombo, com o filho à frente na cadeira do poder. Não saía da Cidade Proibida, escrevia mal e quando falsificou documentos em nome do filho - o imperador - deu erros gramaticais. Começou como concubina de baixa categoria e, ao contrário da rainha Vitória, de Isabel I ou Catarina, a Grande, não nasceu para governar. Cixi era apenas uma das 19 concubinas do imperador Daoguang e nem era a preferida porque dava opiniões de mais. O próprio avisou a imperatriz Zheng (concubina de maior prestígio) que caso ele morresse e ela tentasse meter-se nos assuntos de Estado devia "exterminá-la".»

 

Vanda Marques, i

 

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