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Quetzal

Na companhia dos livros.

Bowles e Theroux: dois viajantes

"Para o norte-americano nascido em Queens, Nova Iorque, em 1910, a geografia da pátria é um lugar estranho. Paul Bowles iniciou-se nas andanças pelo mundo aos 19 anos. Na Europa conheceu e conviveu com gente como Gertrud Stein, Jean Cocteau, Ezra Pound, Christopher Isherwood e Kurt Schwitters, entre outros. Em 1931 chegava a Tânger, em Marrocos pela terceira vez, antevendo-se um efeito muito menos transitório nesta escala. Aqui viveu 52 anos, até à sua morte, em 1999, mantendo um casamento aberto com a escritora Jane Auer, que morreu em 1973. Pelo seu refúgio no Norte de África passaram as principais figuras da geração beat, enquanto laborava na escrita e na composição, oferecendo títulos como "O Céu Que Nos Protege", romance que ocupou o primeiro lugar da lista de bestsellers do "New York Times" e que foi adaptado ao cinema por Bernardo Bertolucci."

 

Maria Ramos Silva, i

 

Cinerama Peruana

"Um ensaísta frustrado e a sua obra auto-remissiva, dois irmãos que herdam a editora paterna e a continuam, rodeados pelos seus fantasmas, e um grupo de assassinos peruanos que cruzam fronteiras matando gente e regressando ao seu covil como quem volta do trabalho são as personagens no centro das três histórias. Se o tema da superação do mestre pelo discípulo atravessa todo o livro, são as possibilidades múltiplas de cada vida que alimentam a estrutura das personagens, uma espécie de espelho infinito onde o que acontece e o que poderia acontecer se reflecte em estilhaços sucessivos. Perante uma prosa tão sólida, de nada serve antecipar a responsabilidade do segundo livro; o primeiro é bom que chegue para que não nos esqueçamos dele."

 

Sara Figueiredo Costa, Time Out

 

Claudio Magris distinguido

O Prémio Europeu Helena Vaz da Silva para a divulgação do Património Cultural, instituído pela Europa Nostra, pelo Conselho Nacional de Cultura e pelo Clube Português de Imprensa foi atribuído, pela primeira vez, ao escritor italiano Claudio Magris. Este prémio, agora em primeira edição, visa distinguir anualmente um cidadão europeu que, ao longo da sua carreira se tenha distinguido pela sua atividade de divulgação, defesa e promoção do Património Cultural Europeu.

 

Segundo o comunicado emitido pelo Centro Nacional de Cultural, Claudio Magris reagiu ao anúncio desta distinção expressando “profunda gratidão por este grande, generoso e totalmente inesperado reconhecimento que me chega de um país que sempre esteve presente na minha fantasia, nos meus interesses, no meu imaginário”.

 

 A Quetzal Editores publicará ainda este ano mais um título de Claudio Magris: Alfabetos estará disponível em edição portuguesa em outubro.

 

Os Velhos Diabos, de Kingsley Amis

Publicado pela primeira vez em 1986, galardoado com o prémio Booker no mesmo ano e adaptado à televisão numa minissérie para a BBC, Os Velhos Diabos é considerado um dos melhores romances de Kingsley Amis e um dos melhores romances do século XX. Martin Amis considera-o a obra-prima do pai.

 

Será que as pessoas chegam a crescer? Os velhos diabos desta história são como sempre foram – só que são prisioneiros de um corpo que envelhece. É como habitar uma casa que precisa de arranjos que nunca chegam a ser feitos.

 

Malcolm, Peter e Charlie e as respetivas mulheres têm uma única grande ambição na vida: beber tudo o que há para beber no País de Gales. A viver em Londres há várias décadas, Alun Weaver, um escritor de modesto renome, e a mulher, uma grande beleza do seu tempo, Rhiannon, decidem regressar à pequena e pacata comunidade galesa onde viveram no passado. Aí retomam o convívio regular – e os copos – com os antigos amigos – e as disputas, as rivalidades e as paixões do passado. Até que um súbito acontecimento trágico interrompe o reencontro.

 

Amanhã nas livrarias.

 

Você está aqui

«Tudo servido com os ingredientes característicos da poesia do autor: observação e notação dos acasos do quotidiano, significação do insignificante, redução da grande escala à pequena escala com o propósito de tornar o poema próximo e reconhecível, sobriedade dos versos, exiguidade adjectival, trabalho de oficina, humor parentético e o império da metonímia que, tendo significado no anterior A parte pelo todo (2009) o livro pela morte (do pai do autor), significa, em Você está aqui, o espaço pelo tempo: por um presente que parece interminável, um presente eterno, um “estar aqui sem fim”, uma still life (p. 51) que, apesar de parada, ainda é vida – porventura vida suficiente para servir de fundamento à procura de algo que transcenda o mero estar.»

 

Rui Lage, Ípsilon