Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Quetzal

Na companhia dos livros.

A poética incómoda de Ali Smith

Like, que tanto pode ser “gosto” como “qualquer coisa como”, é o tal jogo onde cabem todos os sentimentos embrulhados numa poética tantas vezes incómoda, porque crua, sem medo das palavras e dos seus duplos significados. Like (vou propositadamente ao título original) vai à autobiografia. Ali sabe o que é viver itinerante, com pouco. Também ela foi sem rede no seu percurso para Cambridge, quando um dia deixou a Escócia. Só que, nessa viagem, Ali, ao contrário de Amy, ganhou o amor da sua vida, a mulher com quem ainda vive e que a ajudou a afirmar a sua identidade: homossexual, escritora, pouco dada a holofotes.

 

Qualquer Coisa Como é quase o respirar de alívio para quem admira a obra de Ali Smith e ainda não sabia da sua estreia. E a confirmação de um talento literário que apenas veio a refinar-se.”

 

Isabel Lucas, Público

 

Gosto Disto Aqui

“Escrito em 1958, três anos após uma curta estadia em Portugal com a primeira mulher e os três filhos (Philip, Martin e Sally), Gosto Disto Aqui, romance autobiográfico, resulta numa amálgama de pouco empenhadas impressões diarísticas e de viagem, cosidas sem vigor numa narrativa, ela mesma, bastante errática. Um divertimento simples, com olhares fortuitos sobre o Portugal do “nosso doutor Salazar” e uma manifesta desconfiança em relação ao “estrangeiro”.”

Filipa Melo, Sol

 

“De notar ainda que, embora velado e escondido por trás da mais fina ironia e do mais desbragado sarcasmo, o cepticismo sombrio e pessimista de Amis está sempre presente. Seguindo o exemplo dos seus mais directos antecessores – Fielding, Dickens, Wodehouse e Waugh –, assume o lugar do bufão, no centro dos acontecimentos, perpetuamente dividido entre a incompreensão perante as mais rocambolescas situações e a aguda percepção das mesmas.”

Helena Vasconcelos, Público

 

A Porta do Sol

"O escritor libanês Elias Khoury (n. 1948) é um dos poucos autores árabes que suscita interesse por parte da imprensa ocidental. Romancista e dramaturgo, professor em Nova Iorque (Columbia) e na Universidade Americana de Beirute, iniciou em 1975, depois de ter participado na guerra civil do Líbano, uma obra literária praticamente desconhecida em Portugal. A Porta do Sol, traduzido a partir da versão francesa, acaba de chegar às livrarias. O livro narra o êxodo dos palestinianos entre 1947 e 1950, quando cerca de 700 mil palestinianos deixaram a Galileia. Foi Edward Said que o recomendou aos editores americanos, e esse gesto vale por todos os prémios."

 

Eduardo Pitta, Sábado

 

A Informação

A Informação, de Martin Amis, foi um dos livros mais comentados e analisados na década de 90 no mundo anglo-saxónico, até porque reproduzia uma rivalidade e o fim da amizade e da cumplicidade entre Amis e Julian Barnes. Dezassete anos depois da sua publicação no Reino Unido, é mais que tempo de analisarmos per si este romance. E a conclusão cimeira é que estamos perante uma obra-prima em mil variações, sobre o pecado mortal da inveja.

 

Não é um livro fácil de se ler, de se gostar, e já agora de traduzir: o trabalho de Jorge Pereirinha Pires, sem espinhas, permite que nos concentremos exclusivamente nos dois primeiros aspectos.”

 

Rui Lagartinho, Time Out

 

Da Viagem

A Arte da Viagem satisfaz o lado mais voyeurista do leitor de viagens, que não é necessariamente um viajante – a não ser muitas vezes “de olhos fechados” ou no próprio quarto, como Xavier de Maistre, um dos autores aqui citados. Não é um livro em que se possa saber do lado mais aventureiro de Theroux – a não ser pelas citações que faz de si próprio nas suas várias narrativas de viagens. Mas quem resiste a olhar para o interior das bagagens de Bruce Chatwin e de Paul Bowles, com as suas camisas de noite no deserto, ou a saber quem foram as companhias de André Gide ou de Somerset Maugham sempre que se transformavam em estranhos num lugar?”

 

Isabel Lucas, Público

 

Qualquer Coisa Como

“Finalista do Man Booker e do Orange Prize com os romances Hotel Mundo e A Acidental (ambos publicados pela Bico de Pena), Ali Smith é considerada uma das escritoras britânicas mais inventivas do século XX e tem uma série de romances e colectâneas de contos premiadas, incluindo a que a Quetzal publicou no ano passado, Amor Livre e Outras Histórias. A origem de tudo isso está aqui. E é simplesmente difícil não gostar de Like.”

 

Ana Dias Ferreira, Time Out