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Quetzal

Na companhia dos livros.

Pura Ficção

"(...) a procuradoria-geral da república decidiu assumir a coordenação do processo. A mulher nomeada para essa tarefa foi Natália Anjo, uma magistrada que gozava de grande respeitabilidade pública, sendo-lhe reconhecidos rigor jurídico e abnegação. (...) Era uma mulher de média estatura, redonda, de um redondo que não era gordura pregada ou gelatinosa, mas antes carne rija, cheia. Alguns consideravam-na mesmo voluptuosa e sensual (algo que a própria, no seu íntimo, reconhecia como tendo um fundo de verdade, sobretudo desde que fora ao Egipto e a sua figura atraíra muito mais indígenas do que a da sua colega, uma magistrada morena e seca). Para o seu retrato surpreendentemente agradável, contribuía ainda uma pele macia e fresca, e a sua maquilhagem, de um cuidado exótico: o lápis carregado realçando-lhe uns olhos pestanudos, grandes, e os lábios pequenos e abonecados."

 

"O Reino Maravilhoso"

Excerto da crítica de Pedro Mexia, publicada no Expresso, ao livro de Raul Brandão, As Ilhas Desconhecidas:

 

"O escritor confessa com frequência saudades de casa, mas também diz que desejava viver uma vida diferente, uma vida nua, como a daqueles açorianos livres e orgulhosos. Quando escreve sobre a Madeira, elogia uma terra fértil, romântica, voluptuosa e feliz, mas também a considera terrivelmente turística, engalanada para inglês ver. Brandão prefere a melancolia aguda dos Açores, uma paisagem visível que traduz uma inquietação interior.

 

«As Ilhas Desconhecidas» é um magnífico livro de viagens, mas é muito mais que isso: faz da geografia das ilhas portuguesas uma geografia metafísica, tremenda e maravilhosa. Um reino deste mundo e de outros mundos."

 

Cine-Bolaño

"Roberto Bolaño mereceu rasgados elogios por todo o mundo por obras como "Detectives Selvagens", "2666" ou "O Nocturno do Chile". Começou por escrever poesia mas rapidamente se dedicou à prosa que lhe dava mais público e segurança financeira. Oito anos passados sobre a sua morte, o escritor chileno chega às salas de cinema com um romance menos conhecido que ainda não tem tradução portuguesa. Foi propositado, confessou várias vezes a realizadora que disse não ter coragem de adaptar uma obra prima."

 

Prémio Zaffari & Bourbon

Azul-corvo, de Adriana Lisboa, e Outra Vida, de Rodrigo Lacerda, ambos a publicar pela Quetzal no próximo ano, são, juntamente com o já publicado Estive em Lisboa e Lembrei-me de Ti, de Luiz Ruffato, três dos finalistas do Prémio Zaffari & Bourbon, cujo vencedor será anunciado hoje na abertura da 14.ª Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul. Aqui.

Miúdos no cinema

"A cantora norte-americana Patti Smith vai colaborar com o argumentista John Logan para adaptar ao cinema o seu livro de memórias «Apenas Miúdos», sobre a sua amizade com o fotógrafo Robert Mapplethorpe, anunciou hoje o blog especializado Deadline.

 

O livro «Apenas Miúdos» – publicado este ano em Portugal pela Quetzal – valeu em 2010 a Patti Smith o National Book Award, o prémio nacional de literatura dos Estados Unidos, na categoria de não-ficção."

 

Ler a notícia completa aqui.

Acerto

"A dimensão de cada conto e o que nele se consegue visualizar é invulgarmente eficaz. Há um acerto entre cada palavra - quase como se fosse avaliada por uma balança de pesar diamantes de um qualquer judeu holandês - e a sua repercussão."

 

Rui Lagartinho, do Público, deu 5 estrelas a Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia, de Rentes de Carvalho.

 

Selvagem

"Embora denso e por vezes cansativo (sobretudo quando abusa do jargão académico e acumula referências especificamente argentinas que o leitor europeu não capta), este é um romance brilhante, uma comédia intelectual corrosiva e um exemplo de inteligência literária, com a dose certa de sentido crítico."

 

José Mário Silva, do Expresso, deu 4 estrelas ao romance de estreia da escritora argentina Pola Oloixarac, As Teorias Selvagens.

 

Foto: Sebastian Freire