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Quetzal

Na companhia dos livros.

Mundo Novo

"A descoberta de um mundo novo que a memória tem dificuldade em aceitar, leva a que o passado seja tratado à luz distorcida de um ideal que, provavelmente, nunca terá existido; ou, mais provável, um ideal de vida imaginado. A memória é imaginação, sempre: recriamos o passado como um conjunto de imagens cuja substância é impossível de tocar. Teremos sempre de acreditar no que recordamos: a nostalgia é isto mesmo. E o narrador de La Coca ou, ouso dizer, Rentes de Carvalho – saí da leitura do livro convencido que pouco ou nada distingue os dois, e a prova desta convicção é assumir que, no limite, ficção e memória podem ser as duas faces da mesma moeda – não foge às suas armadilhas. Enredados na mesma teia em que ele caiu, chegamos ao fim igualmente perdidos. E isso é bom; muito, muito bom."

 

Sérgio Lavos, Arrastão

81ª edição da Feira do Livro do Porto

A Feira do Livro do Porto começa hoje e os autores da Quetzal, inserida no espaço do Grupo Porto Editora, vão participar nas seguintes iniciativas:

 

27 de Maio, Sexta-Feira

18:00 - José Rentes de Carvalho participa na Tertúlia da Revista Ler: O que escrevo tem uma pronúncia do norte? Manuel António Pina e valter hugo mãe são os outros convidados de Anabela Mota Ribeiro.

 

28 de Maio, Sábado

16:00 - 20:00 - Sessão de autógrafos com José Luís Peixoto

 

29 de Maio, Domingo

15:00 - 17:00 - Sessão de autógrafos com Francisco Duarte Mangas e José Rentes de Carvalho

17:30 - José Rentes de Carvalho e Francisco Duarte Mangas numa conversa sobre Portugal profundo, as suas diferentes camadas e a memória que dele temos, moderada por Álvaro Domingues

 

4 de Junho, Sábado

15:00 - 18:00 - Sessão de Autógrafos com Afonso Cruz

 

10 de Junho, Sexta-Feira

15:00 - 18:00 - Sessão de autógrafos com Paulo Ferreira e Pedro Vieira

20:00 - Paulo Ferreira e Pedro Vieira participam num debate sobre a nova vaga da ficção portuguesa, juntamente com David Machado e António Figueira. Moderação do jornalista Tito Couto

 

 

Venham mais cinco

Mais cinco estrelas para Nada a Temer, de Julian Barnes. Desta vez na Time Out, em crítica assinada por Catarina Homem Marques:

 

"Num diálogo constante com o irmão filósofo, atira para a balança a verdade das nossas memórias, Deus, o valor dos sentimentos quando cartas de amor antigas podem servir de forro a um puff, as teorias de outros pensadores e, claro, a morte. Não temos como a evitar. Talvez não tenhamos como evitar o medo que de vez em quando nos causa. Mas temos este magnífico livro. É aproveitar que estamos vivos para o ler."

Mais Pessimismo

Manuel Queiroz, director do i, "encheu-se de pessimismo para explicar as teorias de Roger Scruton", num longo artigo publicado no passado sábado:

 

"Convém sempre uma dose de pessimismo quando olhamos para as possibilidades que se nos abrem para que possamos ter alguma perspectiva e para que se possa evitar grandes erros históricos como quando se acredita de mais no comunismo ou no nazismo, que falava, qualquer deles, em nome dos melhores propósitos. Mas com os mais sangrentos resultados."

 

Nada a Temer

Nada a Temer, de Julian Barnes, na imprensa:

 

"Uma infinidade de outras referências e citações enriquecem o livro, mas o essencial é mesmo o elemento de memória pessoal que acompanha as reflexões."

 

Luís M. Faria, no suplemento Actual, do Expresso, deu 5 estrelas ao livro.

 

 

 

Apenas Miúdos, de Patti Smith, a 17 de Junho nas livrarias

"Preâmbulo

 

Eu estava a dormir quando ele morreu. Tinha telefonado para o hospital, para lhe dizer mais uma vez boa noite, mas ele estava inconsciente, devido às doses de morfina. Ouvi a respiração esforçada dele pelo telefone. Fiquei em pé junto da secretária com o auscultador na mão, sabendo que jamais tornaria a ouvi-lo.

Mais tarde arrumei serenamente as minhas coisas, o meu caderno e a caneta de tinta permanente. O tinteiro azul-cobalto que fora dele. A minha chávena persa, o meu coração púrpura, um tabuleiro com dentinhos de leite. Subi vagarosamente as escadas, contando os degraus, catorze ao todo, um após o outro. Aconcheguei o cobertor ao bebé que estava no berço, beijei o meu filho enquanto ele dormia, e a seguir deitei-me ao lado do meu marido e rezei as minhas orações. Ele ainda está vivo, lembro-me eu de ter murmurado. A seguir dormi.

Acordei cedo e quando ia a descer as escadas soube que ele morrera. Tudo estava em silêncio, menos o som do televisor que eu deixara aceso durante a noite. Fui atraída para o ecrã enquanto a Tosca declarava, com poder e pesar, a sua paixão pelo pintor Cavaradossi. Estava uma fria manhã de Março e vesti o meu camisolão.

Subi os estores e a claridade entrou no estúdio. Alisei a manta grossa que cobria o meu cadeirão e escolhi um livro de pintura de Odilon Redon. Abri-o na imagem de uma cabeça de mulher a flutuar num pequeno mar. Les yeux clos. Um universo ainda não assinalado contido por detrás das pálidas pálpebras. O telefone tocou e levantei-me para ir atendê-lo.

Era o Edward, o irmão mais novo do Robert. Contou que, tal como me prometera, tinha dado ao Robert um último beijo por mim. Fiquei imóvel por uns instantes, e depois, lentamente, como num sonho, regressei ao meu cadeirão. Nesse momento a Tosca iniciou a grande ária «Vissi d’arte». Vivi pelo amor, vivi pela Arte. Fechei os olhos, e entrelacei as mãos. A Providência discernira como seria a minha despedida."

 

Festa

Tudo o que sempre quis saber sobre a Festa do Livro do Funchal, aqui: "O evento irá contar com a participação de conhecidos autores nacionais, na rubrica Autor do Dia, que preencherá os finais de tarde dos dias da Festa do Livro. Entre os nomes confirmados, estão Eduardo Pitta, Francisco José Viegas, Helena Marques, José Luís Peixoto, Lídia Jorge, Mário Zambujal, Nuno Markl, Patrícia Reis, Pedro Vieira e Valter Hugo Mãe."

As Falácias do Optimismo

Na Sábado desta semana Paulo Tunhas escreve sobre As Vantagens do Pessimismo, de Roger Scruton: "Pelo meio, há páginas óptimas sobre a União Europeia, o antiamericanismo, o multiculturalismo, a educação, a arquitectura contemporânea, o ressentimento e o terrorismo. O livro ajuda a perceber coisas distantes, coisas não tão distantes assim e coisas excessivamente próximas de nós, aqui e agora. Faço-me entender?"

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