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Quetzal

Na companhia dos livros.

David Rieff sobre os diários de Susan Sontag

«A minha mãe fez uma viagem pela Grécia quando era muito nova. No sul do Peloponeso viu uma encenação de Medeia num anfiteatro. A experiência comoveu-a profundamente porque, quando Medeia está prestes a matar os seus filhos, algums pessoas do público começaram a gritar: "Não os mates, Medeia!" "Estas pessoas não percebiam que estavam a ver uma obra de arte - disse-me ela muitas vezes -, era tudo real."

 

Estes diários são, também, reais. E ao lê-los tenho sobremaneira a ansiedade de estar a reagir como aqueles espectadores gregos de meados de 1950. Quero gritar, "não faças isso", ou "não sejas tão exigente contigo própria", ou "não te aches tão importante", ou "tem cuidado com ela, ela não te ama". Mas, obviamente, é tarde demais: a peça já foi representada e a sua protagonista está morta, tal como muitas das outras personagens, embora não todas.»

 

 

David Rieff, filho de Susan Sontag, no prefácio de Renascer - Diários e Apontamentos 1947-1963, que editou.

Susan Sontag

 

Susan Sontag foi uma das mais importantes e influentes intelectuais norte-americanas da segunda metade do século XX. Foi professora universitária, activista na defesa dos direitos das mulheres e dos direitos humanos em geral, ficcionista e ensaísta.

 

A sua escrita foi presença assídua em publicações como The New Yorker, The New York Review of Books, The New York Times, The Times Literary Supplement, Art in America, Antaeus, Parnassus, The Nation, e Granta, entre outras. Susan Sontag teve um filho, David Rieff - editor dos diários inéditos, com o título Reborn, cuja publicação a Quetzal agora inicia -, e viveu os últimos tempos da sua vida com a fotógrafa Annie Leibovitz.

Susan Sontag nasceu em 1933 m Nova Iorque, cidade onde morreu, em 2004.

Renascer

 

Este é o primeiro dos três volumes de diários e apontamentos de Susan Sontag - e um surpreendente registo da formação de uma grande figura intelectual. O livro começa com os anos da faculdade e as primeiras experiências ficcionais e termina em 1963, quando Sontag já se tornara uma figura de destaque na cena cultural e artística nova-iorquina.

 

Renascer é o auto-retrato de uma das maiores escritoras do nosso tempo, dotada de uma curiosidade voraz e de um intenso apetite pela vida. Ao longo das suas páginas compreendemos a complexidade da sua escrita de juventude, partilhamos encontos com escritores que tiveram um papel de destaque na sua formação - e somos arrebatados pelo seu brilho incontestável.

 

Edição e prefácio de David Rieff.

Tradução de Nuno Guerreiro Josué.

Renascer, de Susan Sontag | serpente emplumada | Susan Sontag

 

Nas livrarias a 16 de Julho.

Sobre manter um diário

«É superficial encarar um diário apenas como um receptáculo dos pensamentos privados e secretos de cada um - como um confidente surdo, mudo e analfabeto. No diário não só me exprimo de uma forma mais aberta do que faria com qualquer pessoa, mas crio-me a mim própria. O diário é um veículo para o meu sentido de individualidade. Representa-me como emocional e espiritualente independente. Em consequência (infelizmente) não é um registo simples da minha vida diária - e em muitos casos - oferece uma alternativa a ela.»

 

Susan Sontag, em Renascer, da entrada de 31 de Dezembro de 1957.

 

Nas livrarias a 16 de Julho.

«A ficção é a melhor maneira de dizer aquilo que julgamos ser verdade.»

 

 

 

Afonso Cruz em entrevista a Maria João Freitas, no segundo número de Alice, a revista online do Clube de Criativos de Portugal.

 

Qual o autocolante com que te sentes mais confortável? Ilustrador, escritor, músico, fabricante de cerveja?

Autor, talvez... mas depende da situação. Escolho a profissão conforme o momento.

 

E talvez a provar que do autocolante escolha é certa: Afonso Cruz no programa A de Autor.

Escrever para o futuro

«[Vergílio Ferreira] estava a preparar o espólio para o futuro. Tinha essa noção de que era necessário conhecer tudo o que um escritor faz para substanciar a apreciação que fazemos dele», Professor Hélder Godinho, da equipa envolvida nas recentes edições do espólio de Vergílio Ferreira, em declarações ao Ípsilon que hoje dedica duas páginas aos inéditos do autor de Aparição.

Uma narrativa não-ficcional que é como um romance.

«Sem nunca perder o rigor da forma do relato verídico, Eggers não deixa de usar o seu talento de romancista nas descrições que faz, como a da citação anterior. Toda a história, apesar de seguir uma ordem cronológica com enumeração das datas, está repleta de analepses, de lembranças da infância e juventude de ambos, de pormenores laterais que fazem desta grande narrativa não-ficcional um romance (no sentido mais lato da palavra).» José Riço Direitinho sobre Zeitoun, de Dave Eggers, no Ípsilon de hoje.

O estilo de Flaubert

«O estilo aqui é vital. Imaginem a dificuldade técnica de escrever uma história em que uma ave mal embalsamada, com um nome ridículo, acaba por representar uma das pessoas da Santíssima Trindade, em que a intenção não é satírica, nem sentimental, nem blasfema. Imaginem, além disso, contar tal história do ponto de vista de uma velha ignorante, sem a fazer parecer depreciativa ou modesta.»

 

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