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Quetzal

Na companhia dos livros.

Todos os dias Patti Smith aprende com Roberto Bolaño:

Patti Smith escreveu para o autor chileno um poema-canção que estreará no domingo, durante o encerramento do festival Palabra e Música, em Gijón

A notícia é dada pelo El País, a quem Smith afirmou que 2666 é a primeira obra-prima do século XXI. Ler Bolaño foi para ela uma revelação: «pela sua ternura, pela sua poesia e pela sua filosofia».«Saber que [Bolaño] estava a morrer é fundamental para entender as reflexões dos seus livros. O seu enorme sentido da humanidade e, portanto, desumanidade tem a ver com essa iminência da morte.», acrescenta.

 

 

A Contemplação das Coisas que Voam

«Por não sermos capazes de voar, ficamos fascinados ao ver as coisas que o conseguem fazer. Sempre adorei observar as coisas que parecem não ter peso no ar, não apenas os pássaros e os insectos, mas também a lanugem do cardo a pairar, as folhas de Outono a esvoaçar, pedaços de papel soprados pelo vento, as nuvens, os balões e as bolas de sabão. As criaturas que andavam pelo ar tiveram o mesmo poder de atracção em cada um dos meus filhos. Mesmo quando eram bebés, e estavam deitados nos seus carrinhos, reparavam muito rapidamente numa abelha ou numa borboleta, ou num pássaro que passasse a voar, e os olhos deles, que ficavam de repente muito concentrados, continuavam à procura da coisa em questão muito temp depois de esta ter voado para longe da vista. Quando já eram mais velhos, talvez assim com uns três ou quatro anos, tentavam imitar os pássaros segurando em punhados de penas, agitando os braços para cima e para baixo, como se batessem as asas, e dando saltos no ar; e, uns anos mais tarde, copiaram-nos outra vez, fazendo aviões de papel à imagem deles e lançando-os do cimo da colina por trás da nossa casa. Se algum apanhasse uma corrente de ar que o empurrasse para cima e desaparecesse a pairar por cima das árvores, a excitação era enorme, como se a magia de um pássaro tivesse entrado nele. A seguir. as crianças punham-se a abanar os braços sem parar e iam aos saltos pela colina abaixo.»

 

 

O Livro dos Prazeres Inúteis, de Tom Hodkinson e Dan Kieran.

Como fazer aviões de papel

«1 - Encoste o vértice de cima do lado esquerdo ao vinco do meio, de modo a formar um triângulo rectângulo. Vinque bem a nova extremidade formada. Faça o mesmo com o vértice de baixo.

2 - Dobre o triângulo formado no passo anterior para dentro da folha. Não dobre pela base do triângulo, mas sim uns centímetros à direita.

3 - Volte a dobrar os cantos superiores e inferiores do lado esquerdo, de modo a formar triângulos rectos em cima e em baixo.

4 - Como verificará, a ponta do triângulo dobrado para trás no passo 2 fica a sobrar do triângulo formado no passo 3. Dobre essa ponta para dentro do triângulo formado no passo 3, assim formando um triângulo mais pequeno dentro do triângulo grande.

5 - Vai unir a parte do avião que fica abaixo do vinco que divide a folha ao meio, com a parte de cima.

6 - Dobre a parte de cima da folha para baixo usando como dobra o prolongamento da linha que une a ponta do triângulo maior com vértice mais alto do triângulo pequeno.

7 - O seu avião está pronto (se tudo tiver corrido pelo melhor).»

 

Este e outros conselhos úteis em O Livro do Homem, por João Bonifácio.

 

Sara Figueiredo Costa e Hector Abad Faciolince

Sara Figueiredo Costa que, há um ano escreveu este texto publicado na revista Time Out, onde diz que em Somos o Esquecimento Que Seremos a presença do pai é o vértice por onde o filho organiza a sua própria narrativa, mas onde o sentimentalismo podia ganhar terreno à literatura, a lucidez do narrador impõe-se, mostrando uma personagem venerada, generosa e muito amada, mas nunca uma sombra elogiosa. Do seu Cadeirão Voltaire, explica agora por que é que priva os leitores do blogue do que se imagina que fosse uma boa conversa a dois. Mas só imaginamos mesmo, porque a Sara nos deixa com essa projecção e levanta, apenas, o véu dos silêncios partilhados.

Héctor Abad Faciolince e o pai

E chega a altura do ano em que recordamos que Somos O Esquecimento que Seremos é um livro excepcional, sobre o amor excepcional de um filho pelo seu pai. E muito mais do que isso também.

 

 

 

 

Somos o Esquecimento que Seremos é a reconstrução amorosa e paciente de uma personagem: a do médico Héctor Abad Goméz que dedicou a sua vida - até ao dia em que foi assassinado em pleno centro de Medellín - à defesa da igualdade e dos direitos humanos. É um livro cheio de sorrisos que canta o prazer de viver, mas também mostra a tristeza e a raiva causadas pela morte de um ser excepcional.

 

Conjurar a figura do pai é um desafio que percorre consagradas páginas da História da Literatura. Quem não se lmebra das obras de Kafka, Philip Roth, Martin Amis ou V.S. Naipul sobre o seu venerado ou questionado progenitor? A partir de agora também será difícil esquecer este livro pungente de Héctor Abad Faciolince, escrito com coragem e ternura.

 

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