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Quetzal

Na companhia dos livros.

Viver longe do chão


Um rapazinho vai, num acto de rebeldia, morar para cima das árvores. E depois? Quanto tempo pode isto durar? Que interesse pode ter? Fiz estas perguntas a mim próprio quando iniciei a leitura de O Barão Trepador, o enorme romance que Italo Calvino terminou de escrever em 1957 e cuja edição portuguesa anda por aí a ser vendida a preço de saldo. Cosimo Piovasco de Rondó, Barão de Ombrosa, depressa me conquistou, porém: perseverou em ficar em cima das árvores toda a vida, ali vivendo sem jamais pôr um pé no chão e sem deixar, ainda assim, de desempenhar um papel decisivo nos acontecimentos do seu tempo. Magistral alegoria, admiravelmente escrita e desenvolvida, O Barão Trepador parece demonstrar que só um indivíduo destrambelhado que vive no mundo da lua, ou no das árvores, pode alimentar a utopia de criar, enfim, uma república de cidadãos livres e justos.
 

É a sugestão de leitura de Manuel Jorge Marmelo, hoje. Mais sobre O Barão Trepador pelo autor de As Sereias do Mindelo  aqui.

Mónica Marques em entrevista ao Diário Digital

Começa assim:

 

É um livro que cheira a mar; que transpira o intenso calor da praia; que seduz devido aos inúmeros corpos esbeltos, esculturais e bronzeados; que está enfim impregnado de maresia. A alma e a essência do Rio de Janeiro estão no centro do palco no primeiro livro de Mónica Marques («Transa Atlântica», da Quetzal), uma portuguesa que vive há sete anos na Cidade Maravilhosa. A obra revela um Rio de Janeiro desconhecido para muitos, pois a violência que invade os noticiários internacionais apenas é mencionada de relance, já que os cariocas habituaram-se a ela como ao ar que respiram. No entanto, este não é um livro de viagens, mas de uma viagem só. A viagem ao interior de uma mulher divorciada...

 

Feira do Livro do Porto

imagem retirada daqui

 

 

Começou hoje a Feira do Livro do Porto, de regresso à Avenida dos Aliados. Até 14 de Junho, funciona no seguinte horário:

 

2ª a 5ª Feira
Das 12h30 às 20h30

6ª e véspera de feriados

Das 12h30 às 23h00
Sábados

Das 11h00 às 23h00
Domingo

Das 11h00 às 22h00

 

(O que não quer dizer que não venham a acontecer reajustes ditados pelas necessidades dos visitantes, à semelhança do que aconteceu em Lisboa.)

 

Manuel Jorge Marmelo, autor de As Sereias do Mindelo (e o mais jovem biografado no Dicionário de Personalidades Portuenses do Século XX) estará na Feira no dia 30 de Maio, para uma conversa com valter hugo mãe, às 17h30 sobre os mais recentes livros de cada um.

 

Maria Filomena Mónica estará no stand da Quetzal, Bertrand e Pergaminho a autografar a nova edição da biografia de Eça de Queirós.

 

José Luís Peixoto falará com os leitores e assinará os seus livros no dia 14 de Junho.

A lenta e festiva subida ao Plateau

O caso é que me apaixono facilmente pelo brilho nos olhos das pessoas que sabem sorrir. Tenho necessidade de, pelo menos uma vez por dia, fazer passar no ecrã do computador, em slide show, as imagens fotográficas de alguns dos rostos que vi nas duas vezes que passei pela ilha de Santiago, sempre em trabalho, depressa demais e por pouco tempo - o suficiente, porém, para que a ilha me contaminasse pelo simples toque, como o veneno em que o sábio Ruyan embebeu as páginas que deu a folhear ao rei d'As Mil e Uma Noites. Um veneno bom e doce tem sido Cabo Verde. Recordo muitas vezes as cores do Mercado Sucupira, a lenta e festiva subida ao Plateu da cidade da Praia, a tarde amena da praia de Quebra Canela e o rosto da menina de São Domingos com o cabelo pintalgado da luz de umas quantas contas coloridas; o funaná dançado em noites de halloween, a paisagem esmagadora da viagem até ao Tarrafal e a sopa loron que ali comi, e o silêncio áspero do deserto do Sal; mas também as cálidas noites do Mindelo, o perfume do vinho branco do Fogo, o ponche de mel em Santo Antão, os entardeceres no Palmarejo, a lentidão das coisas na Cidade Velha e a cálida água da baía das Gatas afagando-me as pernas. E, claro, lembro-me sempre de Lucirene Patrícia, de Ana, de Luciana e também de Álgida e Ailine, outras duas mulheres de Cabo Verde que garantiram amar-me e das quais eu me tinha injustamente esquecido, pois ambas me dedicaram sentimentos nobres sem pedir nada em troca que não fosse o mútuo amor que eu não lhes podia dar.

 

De As Sereias do Mindelo, de Manuel Jorge Marmelo.

Onze magníficos

Segundo o Diário de Notícias, Irvine Welsh vai realizar uma longa metragem sobre futebol chamada The Magnificent Eleven. O argumento é assinada por Welsh e por John e Pete Adams e história passa-se num clube de futebol amador... em Edimburgo. 

 

De Irvine Welsh a Quetzal publicou recentemente Porno, Ecstasy e Lixo. Estão ainda agendados Crime e Se Gostaste da Escola Vais Adorar o Trabalho (em 2010).

 

 

 

 

A pedido de um leitor

Livros de Vergílio Ferreira já publicados com a chancela da Quetzal:

 

Manhã Submersa

Para Sempre

Até ao Fim

Do Mundo Original

Em Nome da Terra

 

Para breve está prevista uma nova edição de Aparição que, aliás, por ter sido publicado em 1959, conta em 2009 a passagem de 50 anos sobre a sua primeira edição. Os restantes livros de Vergílio Ferreira serão também publicados na Quetzal, mas não há ainda data definitiva para estas edições.

Festival do Silêncio

 

A 101 Noites, MusicBox, Goethe-Institut Portugal e Instituto Franco-Português promovem de 18 a 27 de Junho um evento em torno da palavra dita: o Festival Silêncio! Trata-se de um festival internacional dedicado às novas tendências artísticas e novas expressões urbanas que cruzam a música com a palavra: dos concertos à poetry slam, dos debates às conferências, dos audiolivros às leituras encenadas e aos espectáculos transversais e de spoken word.

Rodrigo Leão, José Luís Peixoto, Olivier Rolin, Adolfo Luxúria Canibal, Rogério Samora, JP Simões, Francisco José Viegas, Sam the Kid, Jorge Silva Melo, DJ Ride, Filipe Vargas, John Banzai, Mark-Uwe Kling, Maria João Seixas, Alex Beaupain e Wordsong, entre muitos outros, para que Lisboa dê lugar à palavra, aceitando o silêncio quando ele se impõe.

Promover encontros entre poesia, música e vídeo, reunindo alguns dos mais conceituados artistas portugueses, franceses e alemães. Debater o futuro de novos suportes como o audiolivro convocando escritores, jornalistas e editores. Dar a conhecer as mais recentes tendências artísticas nesta área é o objectivo do Festival Silêncio!
 

Um par de calças e um pulôver durante vinte cinco anos

«Eu próprio não tinha até à essa data e durante muitos anos usado nenhum fato, pois tinha até então aparecido sempre de calças e pulôver, mesmo ao teatro ia sempre, quando ia, só de calças e pulôver, em especial com umas calças de lã cinzentas e pulôver cor de fogo de lã grossa de carneiro, que um americano bem-disposto me ofereceu logo a seguir à Guerra. Lembro-me de que com esse traje fui algumas vezes a Veneza ao famoso Teatro Fenice, (…) e estive com essas calças e esse pulôver em Roma, em Palermo, em Taormina e em Florença e em quase todas as restantes capitais da Europa, abstraindo ainda do facto de, em casa, eu usar quase sempre essas peças de vestuário, quanto mais surradas estavam as calças e o pulôver, mais eu gostava de as vestir, (…) eu usei essas peças de vestuário durante um quarto de século.»

 

De Os Meus Prémios, de Thomas Berhnard (Tradução de José A. Palma Caetano)

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