Max é um rapaz que está a crescer e a entrar num mundo que não consegue controlar. O pai foi-se embora; a mãe passa cada vez mais tempo com o namorado; e a irmã está a chegar à adolescência. Ele, por seu turno, refugia-se no interior do seu fato de lobo e entrega-se aos acessos de braveza de que é frequentemente acometido. Um dia, fugindo de uma discussão em casa, encontra um barco e, navegando nele, descobre uma ilha habitada por criaturas selvagens e monstruosas, de quem se tornará rei.
Antes da estreia do filme de Spike Jonze O Sítio das Coisas Selvagens nas salas de cinema portuguesas, a Quetzal publica o romance homónimo de Dave Eggers, um livro para todas as idades inspirado no clássico infantil de Maurice Sendak.
Este livro explora uma faceta pouco conhecida das relações pessoais (além das políticas, óbvias) que Salazar mantinha com as famílias mais ricas e poderosas de Portugal de então (que são, na maior parte dos casos, as mesmas de hoje): os Mello, os Espírito Santo, os Champaullimaud, entre outros. Fruto de um grande trabalho de investigação, que envolveu também depoimentos de descendentes e amigos desses nomes da grande indústria e da grande finança, este livro revela factos surpreendentes e documentação inédita.
Nas livrarias a 27 de Novembro.
Lançamento a 25 de Novembro, na Fnac Vasco da Gama,
com apresentação de António Costa Pinto e Rui Ramos.
Hoje, na revista Sábado, um trabalho de Pedro Jorge Castro revela documentos inéditos de Salazar. O jornalista e redactor principal da Sábado é também autor de Salazar e Os Milionários, que chegará às livrarias na sexta-feira dia 27 de Novembro, com a chancela da Quetzal.
O Mundo Branco do Rapaz-Coelho já está nas livrarias e será apresentado no próximo dia 23 por Helena Vasconcelos, às 18h30, na Fnac Colombo.
De onde vens?, perguntaram à rapariga que chegara descalça sobre a neve.
Assim começa o novo romance de Possidónio Cachapa, O Mundo Branco do Rapaz-Coelho, que livrarias já na próxima segunda-feira. Quem quiser, além da primeira frase, ler os três primeiros capítulos, pode seguir o linque e descarregá-los no site do Diário Digital.
O filme de Angelo Gonzalez para o novo livro de Possidónio Cachapa. Mais uma vez, agora que falta pouco para O Mundo Branco do Rapaz-Coelho chegar às livrarias.
«E todos se debruçaram sobre a mão bordada, os olhos subitamente húmidos e os lábios trementes. E o choque e a certeza de estar perante alguém que vinha do Lugar Afortunado provocou na multidão um efeito imprevisível de histeria. Diz-nos, onde está, pediram. Pareces uma pessoa de bom coração, tens de te apiedar de nós, os que temos vivido em desgraça, Toma, dou-te isto e tudo o mais que tiver se me contares como é que se vai para lá, A mim, diz-me a mim, aqui, junto ao ouvido, se não queres que mais ninguém saiba…»
Mais um excerto de O Mundo Branco do Rapaz-Coelho, de Possidónio Cachapa, que chega às livrarias no próximo dia 20.
«Está quase na hora de a Bruna levantar e ir para o banho. Velho safado. Dorme com uma, acorda com outra. Júnior toma outro copo de café e volta para o sofá. Mantém os ouvidos alertas, mas o silêncio, ou algo muito próximo disso, desarma sua consciência. Júnior dorme.
Acorda com o irritante som do despertador no quarto de Bruna. No mesmo momento a porta do armário do pai começa a ranger. Constrangido, Júnior cobre a cabeça com a cabeça ensebada. Ainda assim percebe quando a porta do quarto de Bruna se abre e quando a do banheiro se fecha, segundos depois. 0132008601. Atuador de marcha. Imagina que essa deve ser a parte de maior expectativa. O momento da espera. Quando Bruna retorna ao quarto envolvida na toalha de banho e começa a secar o seu pálido corpo. Ouve a descarga. Ouve o chuveiro sendo ligado. Sente algo em suas costas e salta temendo a barata. Não consegue enxergar. Pisa num caco do copo e cai sentado no sofá. É apenas uma lasca de vidro, mas dói. Não era barata, era só uma sensação. Consegue tirar a lasca de vidro. Bruna sai do banho, avista a silhueta de Júnior.
- Bom dia.
- Bom dia, Bruna.
- Você me assustou.
- Desculpe.
- Eu me tinha esquecido de você, quer dizer, que você está morando aqui.
- Por que não se troca no banheiro? É perigoso pegar uma corrente de ar...
- Porque não tenho onde deixar a roupa que vou vestir. Eu pedi pro seu pai comprar um daqueles ganchos que você pendura atrás da porta, mas ele nunca se lembra de comprar. Como chama aquilo?
- Acho que se chama gancho mesmo. Pode deixar, eu vou providenciar isso para você.
- Não. Deve ter um nome. Tudo tem um nome. Tudo o que existe.
- É verdade. Até o que não existe tem nome.
- Até o que não existe?
- É.
- Dá um exemplo.
- Dragão.
- Mas dizem que um dia existiu.
- Não, os dragões nunca existiram.
- Não gostei desse exemplo, dê outro.
- A Medusa...
- Não, um exemplo de algo que não seja mitológico.
- Deixa eu pensar...
Júnior não consegue trazer nada à mente.
- É melhor eu pôr a roupa antes que pegue essa tal corrente de ar.
Bruna fecha a porta. Sênior deve ter ficado ansioso com a demora. Deve ter ouvido os outros conversando. Esse pensamento traz um quase-sorriso ao rosto de Júnior. Agora ela deve ter largado a toalha. Júnior vai para a área de serviço. Numa das mãos o cigarro, na outra segura a pá do lixo, por precaução. Ela vai reclamar do cheiro do cigarro, mas Júnior precisava disso.
Ainda procura lembrar-se de algo que tenha nome e não exista.»
Excerto de A arte de produzir efeito sem causa, de Lourenço Mutarelli, um dos distinguidos com o Prémio PT Literatura, anunciado ontem à noite, em S. Paulo. Será publicado em Portugal em Fevereiro de 2010.
Lourenço Mutarelli, a A arte de produzir efeito sem causa, a publicar pela Quetzal em 2010.

«Lajos é um vencido pela vida, que não tem controlo sobre as suas personagens; o Luís tem total controlo sobre os seus personagens; Lajos vai-se apagando com a vida, o Luís vai-se iluminando»
João Villalobos na apresentação de Territórios de Caça, citado pelo Diário de Notícias.
«Uma obra algures entre o hambúrguer e a nouvelle cuisine: "Alimenta, é sólido do princípio ao fim e desperta o apetite". Mas também houve "Nocturno", de Aleksander Porfirivitch Borodin, e uma prenda de aniversário atrasada…»
E o relato de Pedro Justino Alves, no Diário Digital.
Para que se saiba como foi o lançamento do novo livro de Luís Naves. Ontem, na Bertrand do Chiado, com música, antes de tudo.
Ontem, no New York Times foi publicada uma crítica ao filme Where The Wild Things Are. O livro de Dave Eggers, escrito depois da colaboração com Spike Jonze no guião do filme, chega às livrarias no próximo dia 20.
«Noutras línguas, nas latinas, por exemplo, é possível disfarçar a origem social. Ou será mais fácil do que no nosso país. Na Europa Central, onde as sociedades são mais igualitárias, somos aquilo que falamos. Parece paradoxal, mas é assim: uma pessoa instruída fala de uma maneira; outra sem estudos usará a expressão típica do povo. Nem o comunismo suavizou as regras; pelo contrário, às vezes penso que as agravou. E Csilla não se limitava a usar a linguagem popular, ela usava pronúncia quase igual à dos ciganos, impondo uma rudeza proletária em certas palavras, falhando uma ou outra conjugação verbal, simplificando a frase, por vezes com erros na construção que pareciam propositados, como se ela estivesse a fazer uma imitação. Mas não estava: aquela era a linguagem do bairro dela.»
Territórios de Caça, de Luís Naves, mais um excerto.
«A rua Gogol deve ser das mais agradáveis da nossa cidade: tem fileiras de faias pujantes, muitas delas plantadas no início do século. O bairro, fisicamente, não sofreu durante a guerra. Durante o regime comunista, as melhores casas foram nacionalizadas, para alojar trabalhadores. No fim do regime, foram vendidas, a bons preços. Os prédios estão preservados e só alguns se encontram em mau estado sem obras há décadas.
Enfim, nesta parte da cidade não houve bombardeamentos de guerra, mas aidna se podem ver as cicatrizes do século. Aqui fica o gueto judeu, com a sinagoga e ruas elegantes, com jardins tranquilos. E o que ainda hoje se observa é ausência de antigos habitantes.
Jamais pensamos nas pessoas que faltam, mas para se compreender a nossa cidade, é preciso pensar nas ausências, nos hiatos, no que devia estar ali, mas não está. Famílias inteiras, gente que vibrava e pensava, cheia de vida e de paixão, de sonhos como os nossos... »
A rua Gogol existe e a cidade húngara desta história é factual, embora não saibamos o seu nome. 20 anos depois da queda do Muro de Berlim, Territórios de Caça, de Luís Naves, é hoje apresentado por João Villalobos, na Bertrand do Chiado, às 18h30. No fim, o quarteto de Vasco Barbora interpreta «Nocturno» de Borodin. E haverá qualquer coisa para comer e beber.
Tomás Vasques sobre a rua Gogol, para ler aqui.
«Da quietude pesada da tarde saiu um lamento, acompanhado de um barulho que parecia produzido por um corpo a roçar nos degraus da escada e plo som pausado de uma ão que batia na parede a um ritmo de soco. O rumor durou pouco tempo, apenas o suficiente para eu me aperceber da sua estranheza. Mas não me mexi imediatamente. Primeiro ainda pensei que viesse do interior da minha sonolência. Ou talvez não passasse de uma brincadeira de crianças . Fiquei imerso numa vaga indiferença, talvez um minuto, a ouvir aquele murmúrio, semelhante a um coração a pulsar na distância. Se tivesse ali permanecido, sem vontade para investigar, nada haveria para contar nestas páginas, o que seria bem melhor para mim, sem dúvida. Mas a curiosidade levou-me a abrir a porta. Saí para o corredor colectivo (a varanda típica corrida dos prédios húngaros) e abri a porta da escada (tarefa que me levou o que pareceu uma eternidade, enquanto escolhia o exemplar certo de um molho de chaves indistintas). E entrei na escadaria.»
O primeiro parágrado de Territórios de Caça, de Luís Naves. O livro será apresentado no próximo dia 9 - não por acaso: passam vinte anos sobre a queda do Muro de Berlim e o romance é passado na Hungria e atravessado pela sombra do muro. Haverá além da apresentação por João Villalobos, uma actuação do Quarteto de Câmara de Vasco Barbosa, que interpretará um "nocturno" de Alexander Borodin.
Reedições dos livros de José Luís Peixoto. Recordamos que Cemitério de Pianos é finalista do Prémio PT Literatura que será anunciado na próxima semana no Brasil.
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