«Um dos seus feitos, li algures, dizia ser “ter sobrevivido sem canudo num país de doutores.” Não precisou de diploma para se encantar pela literatura. Como começa a sua relação com os livros e os autores?
Mas alguém algum dia se preocupou com a falta de canudo do Cesariny, da Sophia ou do Herberto Helder? A poesia tornou-se um feudo de académicos, isso nem é pecha nossa, lá fora também é assim, mas eu venho de outra geração. E em minha casa sempre houve muitos livros. Leio desde que me conheço.»
Eduardo Pitta em entrevista ao jornal i
Depois de um ano de interregno, o Literatura em Viagem, organizado pela Câmara Municipal de Matosinhos, está de volta para a sua 7ª edição. A Quetzal associa-se a este importante acontecimento que tem servido, ano após anos, para aproximar autores e leitores. J. Rentes de Carvalho e Eduardo Pitta, autores dos recém-lançados Mentiras e Diamantes e Um Rapaz a Arder, respetivamente, serão dois dos nomes fortes desta edição, que contará igualmente com as participações de Manuel Jorge Marmelo (a reedição de As Mulheres Deviam Vir com Livro de Instruções chega às livrarias a 24 de maio), João Luís Barreto Guimarães, cujo último livro, você está aqui, foi publicado em janeiro pela Quetzal, e Pedro Vieira, galardoado em 2012 com o Prémio Revelação do PEN Clube pelo seu romance de estreia, Última Paragem: Massamá.
«”A vida passada em bibliotecas permitiu-me manter, nestes últimos anos, um interesse contínuo pela obra dispersa de Raul Brandão e identificar uma apreciável quantidade e qualidade de novos textos velhos.” Assim construiu Vasco Rosa a sal metodologia de investigação. Vasculhar em jornais é, de resto, paixão antiga e já deu origem a muitos volumes, de Alexandre O’Neill a Miguel Esteves Cardoso. Este dedicado a Raul Brandão é a reedição, revista e aumentada, de dois tomos que lançou em 2006, na Ambar, com os títulos Lume sob Cinzas e Paisagem com Figuras. São textos praticamente desconhecidos no nosso tempo mas que explicam muito do sucesso que o escritor teve ao longo da sua vida (nasceu em 1867 e morreu em 1930). Se antes conhecíamos os comentários elogiosos sobre alguns textos que o autor de Húmus escreveu – como é o caso das reportagens sobre jovens delinquentes, sem-abrigo, presos ou hospiciados em Lisboa – agora podemos lê-los como se tivessem sido escritos hoje. Em suma: artigos que explicam e contextualizam as suas obras, os seus gostos, o seu pensamento e os seus afetos.»
Jornal de Letras
Entrevista de Geoff Dyer ao Diário Digital.
«O exotismo do título do seu mais recente romance depressa se dissipa: ASBO é a sigla que taxa a carreira criminosa do protagonista, encetada com uns tenros dois anos de idade. Lionel é mais do que o efeito nada brilhante de uma sociedade que varre para o gueto o que não pode erguer como troféu, já que, nestas paragens, a margem é o centro. E sem qualquer paternalismo, o autor cria estes seres e as suas frágeis fortificações, pondo a nu, com arrasadora perícia, todas as suas dimensões.»
Hugo Pinto Santos, Time Out
«Mentiras & Diamantes tem os ingredientes do thriller, com o escritor a manusear com mestria as técnicas do suspense numa teia cuidadosamente tecida e à prova do leitor mais treinado em encontra pontas soltas. Mas seria limitador reduzi-lo a um género. É uma interrogação sobre um tempo da história recente de Portugal ainda camuflado no silêncio, com uma crítica dura aos protagonistas da cena política nacional. E isto já não é novo em Rentes de Carvalho. É conhecido o desprezo do escritor pelos políticos e pelo rumo de um país que não conseguiu suportar pela claustrofobia dos costumes e do qual fugiu. É também conhecida a sua atracção pela possibilidade literária desse Portugal que, apesar de apontar o dedo ao ditador, nunca terá sido capaz de resolver uma mesquinhez e um provincianismo enraizados.»
Isabel Lucas, Público
«Conhecemos esta mundividência dos seus livros inclassificáveis e esplêndidos, aos quais A Pedra Ainda Espera Dar Flor acrescenta centena e meia de artigos, prefácios, resenhas e divagações. O inexcedível Vasco Rosa, que tinha reunido em dois volumes boa parte destes dispersos, oferece-nos agora uma edição aumentada e num único tomo, resgatando de jornais antigos mais umas quantas dezenas de textos. Estes dispersos são como que esboços das obras canónicas de Brandão, contos lúgubres, histórias de pescadores, monólogos, prosas poéticas, páginas memorialísticas. Os textos mais notáveis são os jornalísticos, etnográficos e impressionistas, nomeadamente as entrevistas ou reportagens com gente que trabalha e sofre.»
Pedro Mexia, Expresso´
Ler no Diário Digital
«A Balada de Johnny Sosa é um desses exemplos pequenos da arte de bem soltar um manguito literário contra ditaduras e ditames e dar ao fraco e oprimido o seu saboroso momento de vingança. Um gesto ínfimo de consolo enorme, nomeadamente nestes tempos de tristeza civilizacional que prolongam o descontentamento muito para lá de qualquer Inverno.»
António Rodrigues, Ípsilon
Hoje, no Ípsilon, destaque para a entrevista ao escritor uruguaio Mario Delgado Aparaín, autor de A Balada de Johnny Sosa, romance reeditado recentemente pela Quetzal.
«Em entrevista ao diário argentino Página/12 afirmou: “Sou de uma geração que perdeu o sorriso” e, no entanto, o humor é parte importante da sua obra.
A Balada de Johnny Sosa foi, entre outras coisas, uma reacção sã e natural – e até, diria, um tanto ingénua – à explosão da literatura panfletária dos anos 70. Uma literatura carregada de dramatismo, de personagens torturadas e de niilismos vários que atentavam contra a esperança e que afectou sectores importantes da literatura latino-americana. Alfredo Zitarrosa, maravilhoso cantor, poeta e narrador da minha terra, disse-me um dia que tinha gostado muito de A Balada de Johnny Sosa porque tinha a virtude de “destragediar” a vida – ele tinha inventado o verbo destragediar. Segundo ele, a única forma de retirar o potencial degradante que a tragédia costuma dispersar sobre os seres humanos é nunca perder o sentido de humor. Uma parte importante da minha geração pode ter perdido, por imperativo da dor, a capacidade de sorrir. Mas eu não.»
Fotografia de Daniel Mordzinski
«A obra de J. Rentes de Carvalho (n. 1930) tem estado a ser reeditada pela Quetzal, que acaba de publicar um seu romance inédito - “Mentiras & Diamantes”. Trata-se de um thriller bem esgalhado, cruzando reminiscências do processo revolucionário que se seguiu ao 25 de Abril de 1974 com redes de crime organizado. Rentes de Carvalho pertence a uma geração em que os escritores dominam bem o vocabulário, por oposição à “dieta Twitter” que vai moldando vária prosa publicada. O desembaraço não dispensa o uso de vernáculo, sempre adequado às circunstâncias, pontuando a narrativa de observações pícaras: “Grande cu! Alcatra de primeira!”»
Eduardo Pitta, Sábado
«Rentes de Carvalho escreve com a elegância e a destreza “de quem maneja o florete”. O leitor vai sabendo das aventuras (as do presente e as do passado) pela voz de um narrador que parece divertir-se na maneira elíptica e muito hábil de contar a história, que tanto pode alternar entre uma aldeia algarvia onde uns estrangeiros organizaram “umas orgiazitas ao ar livre, outras na capela da casa”, para logo a seguir um corpo ser entregue no deserto da Mauritânia. Pelo meio vão surgindo diamantes traficados nos saltos de Blahniks, um nigeriano em Albufeira, uma conta de dinheiro sujo em chipre, um receptador em Amesterdão que fala quimbundo, português, inglês e russo, e que vive com uma antiga bailarina do Kirov…enfim, toda uma fauna que faz de Mentiras & Diamantes um dos mais interessantes livros de Rentes de Carvalho.»
José Riço Direitinho, Revista Ler
língua comum
textos breves
serpente emplumada
série mediterrâneo
série américas
obras de vergílio ferreira
Blogues de autores
Blogues que falam de livros
Outros blogues do grupo
Não ficção portuguesa | Bertrand
Comprar livros online
Mais livros na rede
Sobre livros (imprensa portuguesa)
Sobre livros (internacional)
Frankfurter Allgemeine Zeitung
Para ouvir