Phil Jackson decidiu oferecer livros aos seus jogadores lerem na viagem para o oitavo jogo desta temporada. Entre os títulos escolhidos, todos tendo em conta o perfil dos jogadores, estava nada mais nada menos do que 2666, de Roberto Bolaño. O jogador contemplado com a «obra-prima» do escritor chileno foi o catalão Pau Gasol, que partilha com o treinador o gosto pela leitura e com quem costuma trocar livros. Ouvir críticas e incentivos e trocar livros.
Hoje há
contos (poderosos),
dois romances (argentinos)
e um livro de receitas (ou quase).
Um original tal e qual como o seu autor o entregou ao editor, traduzido por um escritor premiado. Iniciações em dois romances sobre o fim das infâncias (de Chloé, de onze anos, e de Gabriel, de doze). Mais um livro do autor de Somos o Esquecimento que Seremos.
Já disponíveis nas melhores livrarias. E nas outras também.
Uma série de "receitas" em belíssimos textos, traduzidos pelo poeta Pedro Tamen, para ajudar à cura dos "males de que padecem as mulheres, ou a identidade feminina", que vão da infelicidade à traição, à frigidez, ao receio de ficar velha, ao nervosismo, ao medo das sogras, ao mau hálito, etc., etc., através duma sabedoria que vem de trás e que conhece o "feminino" em profundidade. Isto apesar de o autor ser um homem. Mas que teve cinco irmãs, ou seis mães, como ele diz, e a quem dedica esta obra. Ele, Hector Abad Faciolince, apenas "gostava de ser (...) um bom boticário, um farmacêutico, o senhor das receitas que te perfumem (mulher triste) a fantasia." Experimente, para ver se resulta.
Receitas de Amor para Mulheres Tristes</a>, de Héctor Abad Faciolince | série américas
Tradução de Pedro Tamen
Hidrografia Doméstica é um romance introspectivo, subtilmente impressionista, que parte de um universo quotidiano e o transforma em paisagens diferentes e numa série de desconcertante e graciosos micro-mundos. Chloé tem onze anos e vive só numa casinha no fundo do jardim de casa dos pais. O seu diálogo interior – povoado de animais, amizades, viagens, árvores e banheiras – caracteriza-se por uma rara inteligência e define-se através de qualidades opostas: a ternura e o sarcasmo, a perspicácia e a ingenuidade. Mais do que um romance de iniciação, Hidrografia Doméstica flui para um futuro, traçando um mapa de cursos de água.
Hidrografia Doméstica, de Gonzalo Castro | série américas
Tradução de Miguel de Castro Henriques
Gabriel está a deixar de ser criança. Cresce no seu bairro, El Viaducto, entre Villa Mariel, as linhas ferroviárias Roca e a ribeira do Sarandí. Gabriel tem um amigo adulto que dorme no cemitério. Aprende imensas coisas com ele e com os túmulos. No bairro de Gabriel, a água pútrida do Sarandí incendeia-se. Brinca com um bando de miúdos, embora brincar, quando se vive em El Viaducto, também signifique brincar com a morte.
Um país está prestes a deixar de existir. A década de oitenta arrancou e a infância vai ficando para trás entre garrafões de vinho, colectas para sexo pago, amizades validadas pelo perigo e pelo medo. Há morte e há perda no fim da infância. Contudo, o que nunca se perde é o desejo, e A Origem da Tristeza não renuncia à alegria.
Neste romance, que tem muito de autobiografia, Pablo Ramos exibe os seus extraordinários dotes de narrador através de uma escrita luminosa e precisa de ritmo apaixonante, que sabe que o humor é mais poderoso que a autocompaixão e que a vida, se a deixarmos vibrar, abre caminhos mesmo onde estes não se vislumbram.
A Origem da Tristeza, de Pablo Ramos | série américas.
Tradução de Margarida Amado Acosta.
O Que Sabemos do Amor (Begginers, na edição em inglês) é um extraordinário conjunto de histórias passadas no Midwest americano, cujas personagens são homens e mulheres que bebem, pescam e jogam às cartas para suavizar a solidão e a passagem do tempo. Destes dezassete contos, considerados obras-primas da ficção americana contemporânea, alguns foram adaptados ao cinema por Robert Altman no filme Short Cuts.
Esta é também a versão integral do livro que consagrou Carver, publicado com o título De Que Falamos Quando Falamos de Amor e que resultou de uma severa edição, que reduziu a cerca da metade o original inicialmente entregue pelo autor. Se nas suas obras posteriores Carver partiu do minimalismo adstringente de De Que Falamos Quando Falamos de Amor, não deixou porém de desenvolver a empatia expansiva e cheia de nuances que começara a emergir em O Que Sabemos do Amor. Eis, portanto, a escrita de Carver no seu estado mais puro.
O Que Sabemos do Amor - Begginers | serpente emplumada | Raymond Carver
Tradução de João Tordo.
Na coluna de Fernando Sobral, no Jornal de Negócios.
«Los Sinsabores del Verdadero Policia», aquele que se julga ser o derradeiro do livros de Roberto Bolaño será publicado em 2011 pela Quetzal, anuncia hoje Francisco José Viegas ao Sol. E explica do que se trata: «uma epifania sobre literatura, sexo e memória. Belíssimo.»
Na coluna de Fernando Sobral, no Jornal de Negócios.
Às cinco regras do bom leitor sugeridas pela Pó dos Livros acrescentamos:
6. Ler um livro da Quetzal pelo menos seis vezes por ano - não necessariamente o mesmo livro.
O difícil é, num ano inteiro de publicações, escolher só seis.
Mais um livro inédito de Roberto Bolaño: O Terceiro Reich. Aqui fica a sinopse:
«Há uma espécie de detective literário, personagens peculiares e um sem-fim de referências literárias — que darão muito gozo ao leitor. A saber: Udo Berger, que sempre quis ser um grande escritor, mas que tem de se conformar em ser o campeão de “jogos de estratégia e guerra em Stuttgart”, decide ir ao Hotel del Mar, na Costa Brava catalã, com a sua nova namorada, Ingeborg (nome de uma das pesonagens de 2666). O objectivo é treinar-se para participar num novo jogo de estratégia, justamente Terceiro Reich, e preparar-se para ganhar um torneio internacional. Eles compartilham suas férias com um outro casal alemão, Charlie e Hanna, até que o primeiro destes desaparece misteriosamente depois de se cruzar com dois sinistros personagens que também levantam suspeitas nas autoridades locais: «O Lobo» e «O Cordeiro». Entretanto, Udo Berger é perseguido por um detective estranho e sombrio e, atormentado por essa perseguição sem sentido, acaba por entrar em delírio com a “paisagem surreal da Costa Brava”. Tudo isto acontece quando entra num jogo de vida ou morte com um personagem enigmático e de rosto desfigurado, El Quemado. Uma autêntica sinfonia de literatura, política, divertimento surreal, absurdo. Gozo puro.»
O Terceiro Reich será lançado durante o Correntes d'Escritas (de 24 a 27 de Fevereiro, na Póvoa do Varzim), às 24h00 do dia 25. Os leitores de Lisboa que se sentirem excluídos da festa - sim, vai ser uma festa, outra vez - marquem na agenda: 5 de Março, Musicbox.
«Mas o Max que Eggers tão deliciosamente recria com as suas palavras e uma escrita simples, representará também a infância que gostaríamos de ter tido.» Rui Pedro Baptista, do blogue Bela Lugosi is Dead já leu O Sítio das Coisas Selvagens, de Dave Eggers.
«Primeiro magazine on-line de alta cultura. Subversivo, pós-revolucionário e viciante.» A Nicotina, que tem uma livraria online, uma secção sobre literatura e um livro nosso no top, também já tem página no Facebook.
«O nosso detective não escolhe clientes (e haverá os que escolhem?). Ambiciona dar-se bem com a vida, depois de ter tentado o jornalismo. Come pouco, bebe que nem um doido, toma duches de manhã para refrear ressacas, frequenta cabarés, tem um romance quotidiano com uma prostituta e quer deitar-se com a secretária que contratou a dedo sem saber se lhe pode pagar (...)»
Na Ler deste mês, hoje nas bancas, Dóris Graça-Dias escreve sobre Cadáver Precisa-se, de Milton Fornaro.
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